A coordenadora do Projeto Cidadão, desembargadora Eva Evangelista, agradeceu o empenho de cada parceiro, ressaltou o quanto essa dedicação foi essencial, pois as equipes tiveram que se descolar de Cruzeiro do Sul para Mâncio Lima e depois chegar até a sede da Aldeia República, na Escola indígena Pedro Antônio de Oliveira, de helicóptero, pois nessa época do ano, chamada de “verão amazônico”, os rios estão secos e não se chegaria de barco.
“Esse é um momento muito especial, histórico, de muita emoção. Hoje estamos juntos por um mundo melhor, por um mundo de paz, um mundo que nós precisamos perseguir. Quero agradecer todas e todos que estão aqui trabalhando, se não for este estar junto, isso tudo não seria possível. Esse momento só foi possível graças à essa união, essa cooperação em benefício dos povos originários. Nós devemos muito aos senhores e senhoras que estão aqui. Nós do Poder Judiciário estamos aqui tentando reparar este débito histórico que temos com as populações indígenas”, comentou a decana da Corte de Justiça.
Para encerrar esta edição especial do Projeto Cidadão, voltada aos povos indígenas e comunidades ribeirinhas, um Casamento Coletivo foi realizado. A cerimônia não apenas celebrou a união de diversos casais, mas também fortaleceu os laços comunitários, destacando e valorizando as tradições culturais que são a essência dessas comunidades.
Foto: Emanuelly Falqueto
A juíza de Direito Gláucia Gomes levou dentro deste Projeto Cidadão os atendimentos da terceira edição do Projeto MOAbilidade, desenvolvido na Comarca para atender as comunidades e aproximar o Judiciário da sociedade. A magistrada realizou audiências e celebrou a união dos 12 casais, na sexta-feira, 12.
Gláucia comentou sobre a reparação histórica que é realizar esses atendimentos, com a inclusão da etnia nos documentos: “Esse trabalho é o reconhecimento com a nossa Amazônia. A inclusão do Nukini, do Nawa tem representatividade de quem eles são e verdadeiramente são. Fazemos isso com atraso histórico, mas nunca é tarde para fazer justiça por aqueles que estavam aqui muito antes de nós”.
Reconhecimento e compromisso
O Projeto Cidadão atua há cerca de 29 anos na promoção da cidadania e do acesso a serviços básicos em áreas isoladas do Acre. A ação na Terra Indígena Nukini não apenas forneceu serviços essenciais, mas também destacou a importância do respeito e da valorização das culturas indígenas, que são um patrimônio inestimável do nosso país.
Foto: Emanuelly Falqueto
O Tribunal de Justiça do Estado do Acre e parceiros reafirmam seu compromisso com a inclusão social e a promoção dos direitos humanos, sublinhando a relevância de ações contínuas para o desenvolvimento e a dignidade das populações indígenas e ribeirinhas. Essas ações não apenas transformam vidas, mas também fortalecem o tecido social, promovendo uma sociedade mais justa e equitativa para todos.
O cacique geral das Terras Indígenas Nukini, Rukan, lembrou que o último Projeto Cidadão no local foi há 15 anos e a presença da Justiça e dos parceiros significa direitos e respeito. “Para mim é uma honra, uma alegria, uma satisfação ter esses serviços aqui. Esses atendimentos é uma coisa que multiplicou. O processo de reconhecimento dos nossos direitos é importante para nós povos indígenas. Nós estamos aqui cada dia para cuidar dessa floresta e respeitar a vida”.