Início / Versão completa
COTIDIANO

No AC, morte de peixes é causada por crime ambiental; população não deve consumir água

Por Whidy Melo, do AC24horas. 10/10/2024 08:53
Publicidade

ac24horas esteve nessa quarta-feira (9), em trechos do Rio Acre onde foram detectadas a morte de milhares de peixes e crustáceos sem causa aparente, desde o último domingo (6), e descobriu que criadores de peixe em açudes – sem ligação com o rio -, também relataram perdas, aumentando o mistério sobre o que teria causado o fenômeno (veja o vídeo no fim da matéria).

Publicidade

De acordo com moradores da região do Quixadá, às margens do Rio Acre, no manancial, a morte dos animais foi notada do Igarapé Judia até a comunidade Colibri. A distância entre os pontos é estimada entre cinco a seis horas subindo de motor de rabeta. Nos locais, principalmente nas curvas do rio, centenas de peixes se acumulam, podres, tornando o ambiente insalubre e com a presença de aves de rapina. São vistos mortos peixes de várias espécies, incluindo arraias de até 30 quilos, caranguejos, e há relatos de cobras e tracajás na mesma situação.

Foto: Whidy Melo

José Ribamar, de 58 anos, morador do Quixadá desde que nasceu, disse que situação idêntica foi vivida em 2019. “Já aconteceu antes, a gente passava de barco por cima dos peixes, ninguém investigou e agora aconteceu de novo”, afirmou.

Publicidade

Ítalo Monteiro, produtor rural, disse que desceu de sua colônia para o rio, no domingo, e pensou que o fenômeno se tratava de uma piracema. “Os bruxes estavam na beira do rio, morrendo, a gente pensou que fosse até piracema. Era muito peixe e estranhou que apodreceu rápido”, disse. “Mas um pessoal que cria peixe por aqui também disse que perdeu criação nos açudes”, revelou.

A reportagem encontrou o comerciante Pedro Ferreira, que vende algumas espécies criadas num lago artificial sem ligação com o rio Acre, que corroborou com as informações passadas por Monteiro. “Depois da chuva de sexta-feira (5), no domingo apareceram mortos dois peixes, de barriga pra cima [SIC], uma matrinxã e uma pirapitinga, a matrinxã eu comi, não fez mal, e a pirapitinga tá aqui congelada para se alguém precisar buscar para analisar. Acho que foi da fumaça que desceu na chuva e caiu na água”, opina.

Foto: Whidy Melo

O secretário de meio ambiente da capital, Carlos Nasserala, foi enfático ao classificar as ocorrências como crime ambiental. “Coletamos as amostras, vamos analisar, é um crime ambiental. Se houve algum culpado não vai ficar impune”, disse Nasserala.

O prefeito Tião Bocalom, que participou das coletas, disse que o cenário é de devastação. “A situação aqui é crítica. Alguma coisa muito séria aconteceu aqui e contaminou essa água. Vamos descobrir o que aconteceu, porque é um grande desastre”, classificou.

A orientação dos órgãos de controle ambiental é para que a água do rio Acre não seja utilizada para quaisquer circunstâncias, nem os peixes.

https://youtu.be/jgKvt6qZlZo

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.