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Política

Casados, mas divididos: Antônia Lúcia e Silas Câmara divergem sobre anistia do 8 de janeiro

Por Tião Maia, do ContilNet. 14/04/2025 17:40
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Os deputados Silas Câmara e Antônia Lúcia, casados há mais de 30 anos, estão rompidos — pelo menos politicamente. É o que se depreende das posições antagônicas tomadas por ambos em relação ao requerimento de urgência para a tramitação do projeto de lei que estabelece anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Enquanto Silas Câmara, que é acreano, mas deputado pelo Amazonas, é a favor do requerimento, sua esposa, deputada pelo Acre, não assinou a proposta.

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A alegação de Antônia Lúcia às lideranças de direita que a abordaram em busca de seu apoio à proposta de urgência do requerimento foi de que ela não assinaria por seguir orientação partidária contrária à ideia. No entanto, seu colega de bancada do Acre, Roberto Duarte, e o marido Silas Câmara, que são do mesmo partido, o Republicanos, assinaram o documento.

Na tarde desta segunda-feira (14), o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada de 92 deputados, protocolou no sistema da Câmara o requerimento de urgência do Projeto de Lei (PL) da Anistia. A proposta foi apresentada com 264 assinaturas, mas duas foram invalidadas, totalizando 262 apoios à urgência. Do Acre, além de Roberto Duarte, assinaram a proposta os deputados Coronel Ulysses e Eduardo Velloso, do União Brasil, e Zezinho Barbary, do Progressistas.

As assinaturas invalidadas na proposta foram exatamente a do líder Sóstenes Cavalcante e a do líder da oposição, o deputado Zucco (PL-RS). Eles assinaram os documentos como líderes, o que não é permitido pelo Regimento Interno da Câmara.

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Na semana passada, o PL conseguiu 257 assinaturas e, assim, garantiu o apoio da maioria absoluta de deputados federais. Embora festejada pelos congressistas, a marca cumpre formalidade, mas não assegura a tramitação da matéria. O pedido foi protocolado em um momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em campo para tentar pressionar partidos da base a retirarem assinaturas do requerimento.

Significa, então, que, mesmo que tenha sido protocolado, não haverá urgência para a proposta. Isso porque, para que o PL passe a tramitar sob esse regime, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), precisa pautar o pedido, e o plenário, referendá-lo. A apresentação oficial do requerimento, porém, é mais um passo político na pressão pela anistia aos envolvidos no 8/1.

Segundo dados do STF, no fim de março, havia 144 pessoas presas por ações ligadas ao ato de depredação e tentativa de golpe de Estado. A avaliação de uma ala da Câmara é de que Motta vai continuar, ao menos por ora, a negociação com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo Lula em busca de alternativas ao texto, iniciada algumas semanas atrás.

Desde a campanha ao comando da Câmara, Motta sempre defendeu que pautas polêmicas não seriam uma prioridade para ele. Uma das ressalvas em dar andamento ao texto é justamente a divisão da sociedade e do Congresso em relação ao tema da anistia. Apesar de alcançar 257 assinaturas de deputados, o avanço no Senado é incerto.

As últimas duas pesquisas divulgadas sobre o tema, da Quaest e do Datafolha, mostraram que 56% da população é contrária à anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

A discussão sobre a anistia será debatida em uma reunião de líderes da Câmara prevista para a semana depois da Páscoa. Até lá, os diálogos entre os Três Poderes devem seguir em busca de uma resolução.

Um dos impasses que envolvem o projeto é justamente o alcance da anistia. No último relatório, quando a proposta ainda estava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a anistia abrangeria todos os envolvidos em atos realizados de 30 de outubro de 2022 a 8 de janeiro de 2023. Neste cenário, um dos beneficiários poderia ser o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além dele, ex-ministros do governo anterior e generais da alta patente das Forças Armadas poderiam usufruir dos benefícios.

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