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Carne bovina e soja dominam as exportações do Acre em 2025

Por Orlando Sabino, do AC24horas. 15/05/2025 08:46
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O Acre fechou o primeiro quadrimestre do ano com um superavit de mais de US$ 40 milhões em sua balança comercial, representando um aumento de 35,3% em relação ao mesmo período do ano anterior (US$ 29,6 milhões). Esse resultado foi fruto de US$ 40,77 milhões em exportações, deduzidos de um total importado de US$ 690 mil. Observou-se um crescimento de 31,9% nas exportações e uma queda de 46,1% nas importações, ambos os dados referentes ao ano de 2024. Na tabela a seguir, constam os indicadores de exportações, importações e balança comercial de todos os primeiros quatro meses dos anos de 2024 e 2025.

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Carne bovina e soja dominam as exportações do Acre no primeiro quadrimestre do ano

No mês de abril de 2025, três grupos de produtos superaram os valores registrados em 2024: castanha (+109,6%), bovinos (+108,3%) e madeira (+66,5%). Os demais produtos apresentaram valores inferiores em relação a abril de 2024.

Uma observação importante sobre o desempenho da soja em abril é que, apesar de ter alcançado US$ 6,51 milhões em exportações, o valor ficou abaixo do registrado no mesmo mês de 2024 (US$ 9,3 milhões). Ainda assim, espera-se um crescimento expressivo das exportações de soja nos próximos meses. 

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Em relação ao primeiro quadrimestre de 2024 e 2025, percebe-se que, apesar do crescimento da soja nos dois últimos meses, o predomínio ainda é da carne bovina, que apresentou um aumento superior a 108% na comparação entre os dois períodos.

Merece também destaque o expressivo crescimento da castanha (109%), impulsionado principalmente pelo aumento dos preços no mercado internacional, que passaram de US$ 1,50 por quilograma líquido no primeiro quadrimestre de 2024 para US$ 2,70 em 2025 — um crescimento de mais de 79%.

Na tabela a seguir, constam os valores exportados de cada grupo de produtos pelo Acre no mesmo período de 2024 e 2025.

A importância da Rota Rondon e da Zona de Processamento de Exportação – ZPE/AC

Com a política tarifária do governo Trump e a aproximação dos países latino-americanos com a China, ganha relevância a iniciativa Rotas de Integração Sul-Americana — um plano do governo federal, lançado no fim de 2023, que propõe integrar a infraestrutura do Brasil com a dos demais países da América do Sul, dinamizando o comércio na região. O Acre será beneficiado com a Rota 2 – Quadrante Rondon, uma malha multimodal que conecta Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas ao Oceano Pacífico.

Com a criação dessa infraestrutura, o Acre poderá aprimorar significativamente esse corredor para importar e exportar produtos com alto potencial, como os fornecedores de proteína animal — carnes bovina, suína e de aves —, além da soja, do café e dos produtos da bioeconomia, como madeira manejada, castanha, borracha e outros itens extrativos de valor. São produtos com níveis de produção local em ascensão, sendo que a maioria deles já é comercializada no mercado internacional, mesmo com todas as carências de infraestrutura.

Lanço aqui um desafio: que o governo estadual aproveite a implantação das rotas para fomentar a instalação da Zona de Processamento de Exportação do Acre – ZPE/AC, instrumento fundamental para estimular a industrialização. Considerando sua localização em Senador Guiomard, seria importante a implantação dessa infraestrutura de apoio ao longo das vias de acesso.

Criada em 2010, a ZPE/AC é uma sociedade de economia mista responsável pela gestão da Zona de Processamento de Exportação. O governo estadual tem atuado para tornar a área totalmente regularizada e atrativa para investidores, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

As ZPEs são áreas de livre comércio com o exterior, destinadas à instalação de empresas voltadas à produção de bens para exportação. Oferecem incentivos fiscais, cambiais e administrativos, com o objetivo de aumentar a competitividade das exportações acreanas e promover o desenvolvimento regional, facilitando o acesso aos mercados da Bolívia, Peru e países asiáticos.

A ZPE representa uma oportunidade significativa para o desenvolvimento industrial e comercial do estado, com potencial para fortalecer as exportações e atrair investimentos para a região.

A recente reforma tributária brasileira, consolidada pela Lei Complementar nº 214/2025, trouxe mudanças significativas para as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), com o objetivo de modernizar o sistema tributário e manter a atratividade desses polos industriais voltados à exportação.

Foram mantidos e atualizado os benefícios fiscais 

Pela reforma, as empresas instaladas em ZPEs continuam a usufruir de incentivos fiscais, agora adaptados ao novo sistema tributário, com as seguintes características: 1. Suspensão do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). 2. Energia Renovável: O consumo de energia elétrica proveniente de fontes renováveis por empresas nas ZPEs é isento de tributação, incentivando a sustentabilidade e a transição energética. 3. Transações Internas: Operações entre empresas dentro dela ZPE também se beneficiam da suspensão de IBS e CBS, promovendo sinergia e integração industrial. 

 Condições e Obrigações

Para manter os benefícios fiscais, as empresas devem: 1. Exportar a Produção: Os produtos devem ser destinados ao mercado externo. Caso contrário, os tributos suspensos devem ser recolhidos com acréscimos legais. 2. Utilizar Bens Corretamente: A utilização indevida ou a revenda antecipada de bens adquiridos com suspensão tributária pode acarretar a perda dos benefícios e a obrigatoriedade de recolhimento dos tributos com multa e juros. 

É hora de potencializar os investimentos que serão realizados.

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