Início / Versão completa
Brasil

Censo 2022: número de filhos por mulher no Brasil é o menor da história

Por Isto É. 28/06/2025 07:20
Publicidade

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira, dia 27, os resultados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022 sobre fecundidade e migração no Brasil. Os dados revelam profundas transformações nos padrões demográficos do País ao longo das últimas décadas.

Publicidade

O levantamento mostra que a TFT (Taxa de Fecundidade Total) no Brasil caiu drasticamente nas últimas seis décadas. Em 1960, a média era de 6,28 filhos por mulher; em 2022, recuou para 1,55 — abaixo do nível de reposição populacional (número médio de filhos por mulher necessário para manter a população estável, sem crescimento ou declínio), que é de 2,1 filhos por mulher. A região Norte, historicamente com os maiores índices, também reduziu a média de 8,56 (em 1960) para 1,89 filhos por mulher.

O estudo também mostrou que a idade média em que as mulheres têm filhos subiu: de 26,3 anos em 2000 para 28,1 em 2022. O Distrito Federal lidera com 29,3 anos, enquanto o Pará tem a menor média, com 26,8 anos.

Além disso, o percentual de mulheres entre 50 e 59 anos que nunca tiveram filhos cresceu de 10% em 2000 para 16,1% em 2022. O Rio de Janeiro tem a maior proporção (21%) e Tocantins, a menor (11,8%).

Publicidade

Entre os cinco grupos étnico-raciais analisados pelo instituto, a TFT mais alta foi das mulheres indígenas (2,84) e a mais baixa, das mulheres amarelas (1,22). Mulheres pardas tiveram a maior TFT entre os três grupos principais analisados (1,68), seguidas pelas pretas (1,59) e brancas (1,35). Já a idade média da fecundidade foi mais elevada entre mulheres brancas (29 anos), seguida por pretas (27,8) e pardas (27,6).

O estudo também mostrou que a fecundidade está associada à escolaridade: mulheres com ensino superior completo registraram a menor TFT (1,19) e maior idade média de fecundidade (30,7 anos). Já aquelas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto tiveram maior TFT (2,01) e menor idade média (26,7 anos).

Em relação às preferências religiosas, o IBGE mostrou que mulheres evangélicas foram o único grupo com TFT acima da média nacional (1,74). Espíritas (1,01), seguidas por praticantes de Umbanda e Candomblé (1,25), tiveram os menores índices.

Migrações

O Censo do IBGE também mostrou que 36,9% dos brasileiros vivem em um município diferente de onde nasceram, e 14,3% residem em outro estado. Em 2022, 19,2 milhões de pessoas viviam fora da própria região de origem, sendo que mais da metade (54%) delas eram nordestinas. Destes, 6,8 milhões residem no Sudeste.

Apesar disso, o Sudeste registrou, pela primeira vez desde 1991, saldo migratório negativo: perdeu 980 mil pessoas e recebeu 859 mil, resultando em um saldo de -121 mil. O mesmo aconteceu com o Nordeste (-249 mil) e o Norte (-201 mil) — ambos com perdas populacionais recentes e inéditas.

Na contramão, o Sul registrou o maior saldo migratório do país (362 mil pessoas), entre os anos de 2017 e 2022, graças à entrada de 612 mil imigrantes. O Centro-Oeste também manteve tendência histórica positiva, com saldo de 209 mil.

Entre os estados, Santa Catarina se destacou, entre 2017 e 2022, com o maior saldo migratório absoluto (354 mil pessoas) e a maior taxa líquida de migração (4,66%), desbancando São Paulo, que apresentou saldo negativo (-90 mil) pela primeira vez desde 1991.

A Paraíba foi a única unidade do Nordeste com saldo positivo (+31 mil), com destaque para fluxos vindos de São Paulo (22,3%), Pernambuco (20,4%) e Rio de Janeiro (20%). O movimento é interpretado como possível reflexo do chamado “retorno migratório”.

O Rio de Janeiro teve o pior saldo migratório do Brasil, perdendo moradores principalmente para São Paulo (21,4%), Minas Gerais (17,7%) e Espírito Santo (7,3%). O Distrito Federal também apresentou saldo negativo relevante, com quase metade dos seus emigrantes indo para Goiás (48,5%).

Entre 2010 e 2022, o número de pessoas nascidas no exterior vivendo no Brasil cresceu 70,3%, saltando de 592 mil para 1 milhão. Essa é a maior cifra desde 1980 e reverte uma tendência de queda observada desde os anos 1960.

A mudança foi puxada por um aumento expressivo de imigrantes da América Latina, que passaram de 183 mil para 646 mil no período, em grande parte devido à chegada de venezuelanos — que saltaram de 2 mil para 199 mil. A Venezuela tornou-se o principal país de origem de imigrantes no Brasil.

Já os europeus passaram de 263 mil para 203 mil, e os nascidos na América do Norte caíram de 20,4% para 7% da população estrangeira residente no país.

Dos estrangeiros no Brasil em 2022, 399 mil imigraram entre 2018 e 2022 — período que representa o fluxo mais recente e numeroso. O número de imigrantes internacionais nos cinco anos anteriores ao Censo 2022 foi de 457 mil, contra 268 mil no mesmo intervalo antes de 2010.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.