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Exército barra visita de almirante dos EUA ao Acre e causa mal-estar diplomático

Por Contilnet. 04/06/2025 10:33
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O ContilNet noticiou no último dia 19 de maio que o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), almirante Alvin Holsey, desembarcaria no Brasil, no dia seguinte, para uma série de compromissos estratégicos, incluindo uma visita ao Acre.

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O fato é que, de acordo com apuração da Folha de S.Paulo, a agenda ocorreu com um certo mal-estar quando o americano demonstrou interesse em visitar Rio Branco.

As especulações apontavam para um interesse estratégico norte-americano na região da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia. De acordo com uma análise publicada pelo coronel da reserva Gerson Gomes, em canal no YouTube e no X (antigo Twitter), o interesse poderia estar relacionado a preocupações com segurança e inteligência, como a presença de células terroristas ou o financiamento do grupo Hezbollah por meio da mineração ilegal de ouro na região. O conteúdo, que ultrapassou 200 mil visualizações somadas, foi compartilhado por oficiais da reserva, como o general Eliezer Girão, e levanta suspeitas de que parte do dinheiro obtido com o garimpo ilegal no Peru e na Bolívia estaria sendo canalizado para o grupo extremista, com possíveis vínculos no Acre.

Durante a agenda em Brasília, o almirante teve uma reunião com o ministro da Defesa, José Múcio, e com os chefes militares Tomás Paiva (Exército), Marcos Olsen (Marinha), Marcelo Damasceno (Aeronáutica) e Renato Rodrigues de Aguiar Freire (Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas).

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“Os Estados Unidos pediram que Holsey visitasse uma base do Exército em Rio Branco, no Acre. A embaixada dos EUA em Brasília chegou a divulgar um comunicado no qual afirmava que, na capital acreana, o almirante se reuniria ‘com a liderança militar brasileira no quartel do 4º Batalhão de Infantaria do Exército’. Uma correção do comunicado foi enviada em seguida, na qual não mais constava menção à visita ao Acre”, diz a reportagem.

O pedido de visitar a capital do Acre causou estranhamento nos oficiais-generais do lado brasileiro. “A unidade militar é comandada por um tenente e não costuma receber autoridades estrangeiras”, acrescenta.

O interesse do Comando Sul americano era visitar a região por conta do combate ao tráfico internacional de drogas e armas — o 4º Batalhão de Infantaria de Selva atua no controle das fronteiras com o Peru e a Bolívia.

“O pedido foi feito com pouco tempo de antecedência, e os militares brasileiros sugeriram que o chefe militar dos EUA visitasse o Comando Militar da Amazônia, em Manaus, sob o argumento de que poderia ter uma visão mais ampla sobre o trabalho do Exército brasileiro na região”, destaca a Folha.

A proposta não foi aceita pelo lado americano, é o que diz a reportagem. “O Exército, de outro lado, negou a ida do chefe militar estrangeiro para Rio Branco, sob o argumento de dificuldades logísticas e operacionais”, finaliza.

Além desse mal-estar, o veículo de comunicação também apurou que “outro episódio visto como sinal de pouco entusiasmo com a agenda de Holsey foi um jantar organizado pela delegação americana. Múcio e os três comandantes das Forças Armadas foram convidados para o encontro, mas nenhum deles compareceu. Foram representados por oficiais-generais subordinados”.

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