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Diplomata rechaça recuo de Trump e vê brecha para Brasil negociar tarifaço

Por Isto É. 31/07/2025 06:18
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ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos Rubens Barbosa afirmou, em entrevista à ISTOÉnão ver um recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao retirar parte dos setores da indústria da taxação de 50% sobre produtos brasileiros. O diplomata avalia que Trump cedeu à pressão de empresários americanos e atendeu aos interesses do próprio país.

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Trump confirmou o decreto que aumenta a taxa sobre produtos brasileiros importado pelos Estados Unidos. A medida havia sido anunciada no último dia 9 de julho e, desde então, o governo tentava negociar alternativas para a medida com a Casa Branca, que rechaçou as negociações.

No documento, Trump afirmou que a medida defende interesses de empresas americanas e acusa o Brasil de tomar ações incomuns, além de atentar contra o direito de liberdade de expressão contra os cidadãos dos EUA.

Entretanto, o tom usado no decreto foi mais brando do que prometia Donald Trump em coletivas e conversas com jornalistas. Em uma delas, o chefe da Casa Branca rechaçou qualquer possibilidade de conversar diretamente com o Palácio do Planalto no momento e tinha dado indícios de que manteria a tarifa elevada sobre todos os produtos brasileiros.

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“Não vejo [um enfraquecimento do decreto]. Esses produtos que foram isentos são cruciais para a indústria automobilística, para a indústria da construção, por exemplo. Eu acho que ele cuidou do interesse americano”, avaliou Barbosa.

Após a pressão de empresários, Trump deixou de fora da tributação produtos como suco de laranja, minérios e os aviões da Embraer. Os setores beneficiados, que pagarão uma taxa de apenas 10%, representam, em média, 30% das exportações brasileiras. O governo brasileiro já tinha dado sinalizações de que tentaria negociar um acordo para retirar esses produtos da lista da tarifação.

Para o diplomata, que comandou a embaixada em Washington entre 1999 e 2004, o trabalho do governo em manter sigilo nas negociações foi acertada, mas creditou parte do acordo ao setor empresarial do Brasil. “Teve o trabalho da Embraer, do setor de suco e de outros produtos para que os empresários americanos produzissem uma pressão sobre a Casa Branca para eliminar esses produtos da lista de tarifação”, avalia.

“Eu não sei como o governo vai reagir. Vemos uma série de medidas tomadas pelo governo americano para mandar recados ao Brasil. O decreto beneficia cerca de 20% a 30% das exportações brasileiras do ano passado, que terão a tributação de 10% sobre seus produtos. Agora, o governo terá que optar se escala a crise ou se evita novas sanções da Casa Branca. É encontrar alternativas para conter os danos e aceitar essa medida que reduz, e muito, o impacto sobre o país”, completa.

Barbosa relativizou o decreto de Trump e disse ver “notícias boas” no documento assinado pela Casa Branca. Ele reforçou que o decreto abre brechas para facilitar a negociação do Itamaraty e o governo americano para reduzir a tarifa sobre os demais produtos.

“A carta do começo do mês já previa o início das negociações após a aplicação da tarifa. Para o governo brasileiro ficou mais fácil, porque os produtos mais importantes da pauta foram excluídos da tributação. Eu acho que há uma janela de oportunidade para uma negociação político-diplomático em Washington”, completa.

Taxação de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira, 30, o decreto que impõe uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros que chegam ao país. A medida passa a valer sete dias após a publicação do texto. Veja o decreto completo aqui.

Mesmo citando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um dos motivos, o tarifaço ainda tem como pano de fundo a articulação do Brasil para reduzir a influência do dólar no comércio internacional, além das críticas feitas pelo Palácio do Planalto às tarifas impostas por Trump e a participação dos EUA nas guerras de Israel com a Palestina e Irã.

Paralelo a isso, o governo brasileiro ainda tenta emplacar uma reforma no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), onde os EUA têm assento permanente e poder de veto.

Outro ponto que incomoda a Casa Branca é a interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a regulamentação das big techs e a possibilidade do projeto que regulamenta o setor avançar na Câmara dos Deputados. Para o governo norte-americano, a regulamentação é uma tentativa de interferir nas empresas do país.

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