Início / Versão completa
Brasil

PIB do Brasil perde força no 2º trimestre e mostra crescimento de 0,4% da economia

Por Isto É. 02/09/2025 11:14
Publicidade

PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil desacelerou no 2º trimestre de 2025 e registrou crescimento de 0,4%, na comparação com os três primeiros meses de 2025, confirmando a leitura de perda de ritmo da economia, mostrou nesta terça-feira, 2, o IBGE. Em valores correntes, forem gerados R$ 3,2 trilhões.

Publicidade

No 1º trimestre do ano, o avanço tinha sido de 1,3%, segundo dados revisados pelo IBGE.

Em relação ao 2º trimestre de 2024, o PIB avançou 2,2%. Já no acumulado em 12 meses, a alta foi de 3,2%.

Apesar da desaceleração, o resultado veio um pouco melhor do que o esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters era de avanço de 0,3% no período de abril a junho.

Publicidade

Pela ótica da oferta, as altas dos setores de Serviços (0,6%) e da Indústria (0,5%) compensaram a variação negativa da Agropecuária (-0,1%). Pelo lado da oferta, o Consumo das Famílias cresceu 0,5%, enquanto o Consumo do Governo caiu 0,6%, e Investimentos encolheram 2,2%.

A taxa de investimento foi de 16,8% do PIB, acima dos 16,6% do segundo trimestre de 2024. Já a taxa de poupança foi de 16,8%, superando os 16,2% do mesmo trimestre de 2024.

Principais destaques do PIB no 2º trimestre:

Evolução do desemprenho do PIB no Brasil (Crédito:Divulgação/IBGE)

O que explica a perda de fôlego

desaceleração da economia brasileira neste ano já era esperada em razão do aperto monetário promovido pelo Banco Central, que elevou a taxa básica de juros para o patamar atual de 15% ao ano.

Os juros elevados têm ajudado a conter a inflação, mas por outro lado encarece o custo do crédito e freia o consumo e investimentos. A taxa de investimentos registrou no 2º trimestre a primeira queda (-2,2%) desde o terceiro trimestre de 2023.

De acordo com a coordenadora da Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o resultado do PIB confirma uma desaceleração no crescimento da economia.

“Era um efeito esperado a partir da política monetária restritiva (alta nos juros) iniciada em setembro do ano passado. As atividades Indústrias de Transformação e Construção, que dependem de crédito, são mais afetadas nesse cenário”, avalia Rebeca, destacando que os efeitos negativos na Construção e na produção de bens de capital ajuda a explicar a queda nos investimentos.

A queda na agropecuária (-0,1%) é explicada pelo efeito estatístico do salto de 12,3% registrado nos três primeiros meses do ano.

Nos Serviços, o crescimento foi sustentado pelas Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,1%), Informação e comunicação (1,2%), Transporte, armazenagem e correio (1,0%), Outras atividades de serviços (0,7%), Atividades imobiliárias (0,3%). Houve estabilidade no Comércio (0,0%) e queda na Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,4%).

Já o desempenho positivo na Indústria se deve ao crescimento de 5,4% nas Indústrias Extrativas. Por outro lado, houve retração nas atividades de: Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-2,7%), Indústrias de Transformação (-0,5%) e Construção (-0,2%).

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços subiram 0,7%, enquanto as Importações de Bens e Serviços caíram 2,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Apesar da perda de tração da economia, o PIB atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996. A última queda trimestral ocorreu no segundo trimestre de 2021 (-0,6%).

Consumo das famílias também perde força

O nível de atividade dos Serviços e Consumo das Famílias também atingiram patamares recordes no 2º trimestre, registrando um crescimento acima do PIB geral, em meio a um mercado de trabalho aquecido e desemprego baixo.

Ainda assim, o consumo das famílias desacelerou de uma expansão de 1% no 1º trimestre para 0,5% no 2º trimestre.

“O total de salários reais segue crescendo e há uma manutenção dos programas governamentais de transferência de renda, o que contribui para o consumo das famílias”, avaliou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Outro destaque positivo no ano tem sido as exportações. “Está sendo um ano bom para o agro e para a indústria extrativa, que são commodities que o país exporta”, acrescentou Rebeca.

O que esperar para o 2º semestre

O segundo semestre será marcado pelas incertezas em torno da tarifa de 50% adotada pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, em vigor desde o início de agosto.

A taxa vale para uma série de produtos exportados aos EUA que representam cerca de 36% das vendas do Brasil ao país norte-americano, incluindo carne, café, frutas e calçados. Economistas e autoridades, entretanto, avaliam que o tarifaço não deve desestabilizar a economia do país, graças às amplas exceções à taxação e ao fortalecimento das relações comerciais com a China.

O mercado projeta um crescimento de 2,19% para o PIB em 2025, após a expansão de 3,4% registrada em 2024. Para 2026, a expectativa é de uma alta de 1,87%, segundo o último Boletim Focus do Banco Central.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.