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Internet: 20% dos que têm de 11 a 17 anos recebeu mensagem ou solicitação com conteúdo sexual

Por O Globo. 22/10/2025 09:38
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A pesquisa Tic Kids Online Brasil 2025 mostra que 20% das crianças e adolescentes de 11 a 17 anos relataram já ter recebido mensagem ou solicitação com conteúdo sexual da internet. O levantamento do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) divulgado nesta quarta-feira, detalha hábitos e riscos do acesso à web pela população brasileira de 9 a 17 anos. O estudo foi feito em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

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Segundo o levantamento, entre os jovens a partir de 11 anos, 11% reportaram ter visto mensagens de conteúdo sexual postadas na Internet para outras pessoas verem e a mesma proporção citou ter recebido mensagens de conteúdo sexual pela Internet. No cômpito geral do público-alvo do estudo, a partir dos 9 anos, 8% foram expostos a conteúdo sexual — o relato é mais presente entre os meninos (12%) e ainda mais comum conforme o jovem chega à adolescência.

Na faixa entre 15 e 17 anos, 18% relataram que, alguma vez, “me enviaram pela internet mensagens de conteúdo sexual”. Outros 14% desse grupo reportaram ter visto mensagens de conteúdo sexual postadas na web. Além disso, 9% afirmaram que “já me pediram na internet uma foto ou vídeo em que aparecia pelado(a)” e 4%, que “já me pediram para falar sobre sexo na internet”.

Coordenadora da pesquisa, Luisa Adib ressalta que os dados da pesquisa foram coletados de março a setembro deste ano, antes, portanto, da regulamentação trazida pelo ECA Digital para o reforço da segurança online dos mais jovens. Ela destaca que é preciso acompanhar que efeitos as novas regras vão surtir no contato de crianças e adolescentes com os conteúdos sensíveis nas redes.

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— Há um debate muito intenso que envolve proteção, que plataformas criassem recursos para o monitoramento e se responsabilizassem por conteúdos sensíveis que chegam aos mais jovens. Mas, durante a coleta de dados, ainda não estava na fase da implementação. A gente vai conseguir acompanhar os efeitos na próxima edição. Mas a gente já sabe que crianças e adolescentes estão expostos a conteúdos sensíveis, de cunho sexual, e agora esses ambientes passam a ser pressionados para uma adequação a esse público. Tem todo um debate de verificação etária, de meios para que esse conteúdo não chegue à criança, para que haja ambientes próprios para ele. A gente não pensou a internet para as crianças, mas agora a gente tem que pensar que elas estão ali — diz a coordenadora.

O levantamento destaca que 92% da população brasileira de 9 a 17 anos usa a internet no país, o que representa um conjunto de 24,5 milhões de crianças e adolescentes.

Questionados sobre estratégias para proteger a própria privacidade online, entre os entrevistados de 11 a 17 anos, oito em cada dez disseram saber excluir pessoas da lista de contato ou amigos (85%); saber proteger o celular ou o tablet com ferramentas como PIN ou reconhecimento facial (83%); e saber quais informações deve ou não deve compartilhar na internet (79%). Apesar disso, apenas 57% afirmaram saber como verificar se um site é confiável.

Em 2025, 64% dessa faixa etária (11-17) relatou ter bloqueado mensagens de alguém com quem não queria conversar (eram 71% em 2023). E metade (50%) destacou ter usado senhas seguras ou complicadas, misturando letras maiúsculas e minúsculas, números e símbolos (eram 56% em 2023). Além disso, 10% usaram um servidor proxy ou VPN para ficar anônimo.

A pesquisa ouviu 2.370 crianças e adolescentes e 2.370 pais ou responsáveis, em entrevistas face a face, de março a setembro deste ano.

Mediação dos pais

A pesquisa Tic Kids Online Brasil 2025 também levantou com que frequência os jovens recebem orientações dos pais para o uso seguro da internet. Apontou que 44% dos responsáveis conversam sobre o que a criança faz na internet e 39%, que ajudam os mais jovens a fazer algo online que não entendam.

Na contramão dessa ajuda, 31% dos jovens usuários relatou ajudar os mais velhos diariamente ou quase todo dia em atividades na internet que os parentes não sabem realizar.

Além disso, do total de usuários de 9 a 17 anos, 56% disseram que seus responsáveis “sempre ou quase sempre” compartilham com eles materiais que encontram na internet, como notícias, vídeos e memes.

O levantamento também investigou como se dá a mediação técnica dos pais em relação aos hábitos da prole. Pouco mais de um terço dos responsáveis coloca regras para o jovem usar o celular (37%) e olha o celular para ver o que ele está fazendo ou com quem está falando (35%). Um quinto dos responsáveis optar por retirar o aparelho durante algum tempo. O controle é mais intenso nas faixas etárias que vão de 9 a 12 anos.

Luisa Adib destaca que os dados apontam para uma orientação maior dos responsáveis quanto ao tempo de uso, ao conteúdo e em relação a anúncios e propagandas. A adoção de recursos técnicos, porém, ainda não é disseminada e evidencia desafios da regulamentação para a proteção de jovens na internet.

— Uma das coisas que o ECA Digital coloca, para empresas e responsáveis, é o uso de recursos técnicos. É um dos indicadores que a gente vai ter que monitorar. Quando a gente fala de orientação sobre o tempo de uso, sobre anúncio, propaganda, cerca de 70% falam que conversam sobre isso, mas com recurso específico fica em torno de 30%. Apenas existir [o recurso] não é garantia de uso. É preciso entender a limitação da mediação técnica. Ela precisa estar inserida numa orientação mais ativa e ampla porque nenhum monitoramento isolado vai ter efeito. Pode ser efetivo que plataformas pensem esses recursos e desenvolvam espaços para crianças, mas, sobretudo para pessoas com menos escolarização, menor qualidade de internet, o uso desses recursos também é limitado — diz.

Segundo a pesquisa, os recursos técnicos mais adotados pelos pais de usuários de 9 a 17 anos para controlar a presença online são aqueles que limitam o tempo de uso (37%), que monitoram sites ou aplicativos acessados (34%), que filtram apps a serem baixados (33%) e permitem o bloqueio de alguns tipos de sites (33%).

Além disso, 31% dos responsáveis destacaram usar um recurso que alerta quando a criança ou o adolescente deseja fazer compras em algum aplicativo e 27%, um método que limita com quem o jovem pode entrar em contato por chamadas de voz e mensagens.

Ainda de acordo com os responsáveis, as principais fontes de informação sobre o uso seguro da internet são os próprios jovens (50%) e parentes e amigos (48%). Quatro em cada dez deles citou também a busca de informação em meios tradicionais de comunicação (42%), como jornais e televisão, e na própria escola frequentada pelos menores de idade (41%). Sites especializados (37%) e tutoriais online (36%) também foram citados como canais de consulta, assim como grupos de pais ou responsáveis em redes sociais (31%) — estes últimos, analisados pela primeira vez na série histórica.

O levantamento destaca, ainda, que mais da metade dos usuários de Internet de 11 a 17 anos disse ter tido contato com publicidade ou propaganda em diferentes meios digitais: 55% em redes sociais, 52% em sites de vídeos e 52% na televisão. Em sites de jogos, os anúncios alcançaram 26% dessa população.

Nessa faixa etária, os entrevistados relataram ter visto sobretudo pessoas abrindo a embalagem de um produto (65%), ensinando a usar algum produto (62%) ou mostrando bens que alguma marca lhes deu (58%). O estudo também aponta que 51% relataram ter visto pessoas divulgando jogos de apostas e também 51%, pessoas fazendo desafios ou brincadeiras com algum produto ou marca.

Os responsáveis afirmaram que 45% dos jovens de 9 a 17 anos tiveram contato “com propaganda não apropriada para a idade” e que 51% pediram algum produto depois de serem expostos aos anúncios.

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