Início / Versão completa
Política

Motta sinaliza votação de projeto que enquadra facções como organizações terroristas

Por O Globo. 29/10/2025 12:57
Publicidade

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou a líderes partidários que pretende levar ao plenário, na segunda semana de novembro, o projeto que classifica facções criminosas como organizações terroristas. A proposta, de autoria do deputado Danilo Forte (União-CE), ganhou novo impulso após a crise de segurança no Rio de Janeiro e vem sendo tratada como uma das possíveis prioridades da Mesa, em meio à pressão de bancadas da segurança pública e de governadores.

Publicidade

O texto escolhido pelos parlamentares, porém, é objeto de críticas do governo, que é contra esse tipo de equiparação. O Palácio do Planalto aposta em outra frente, o “pacote antifacção”, que ainda será analisado pela Casa Civil antes de ser enviado ao Congresso e facilita a perda de bens de criminosos, entre outras medidas. 

O texto da Câmara equipara o enquadramento penal de facções ao de atos de terrorismo e prevê agravantes para condutas associadas ao domínio territorial, como o uso de armas de guerra, bloqueio de vias públicas e instalação de barricadas — práticas recorrentes em comunidades dominadas pelo tráfico ou milícias.

O relator será o deputado Guilherme Derrite (PL-SP), que atualmente ocupa o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Derrite deve retornar à Câmara em novembro, e já adiantou que pretende entregar o parecer assim que reassumir o mandato. 

Publicidade

— Devo voltar na semana que vem, se o Tarcísio liberar. A ideia é deixar explícito no texto o que caracteriza o terrorismo praticado por organizações criminosas — afirmou.

Ele já discutiu o conteúdo com Danilo Forte e rascunhou uma primeira versão do relatório, que ainda não foi protocolada oficialmente. A expectativa é que o parecer detalhe as ações enquadradas como terrorismo, com menções específicas a barricadas, uso de armamento pesado e ataques contra forças de segurança.

A movimentação reacende o debate sobre o alcance da Lei Antiterrorismo, sancionada em 2016 e restrita, até hoje, a atos com motivação política ou ideológica. O novo projeto amplia esse conceito, aproximando-o da interpretação defendida por setores da direita e de corporações policiais — o que, para o governo Lula, representa um risco de distorção jurídica e de uso político da tipificação.

Integrantes da base afirmam que o Planalto não foi avisado da tramitação e veem na ofensiva de Motta um gesto de alinhamento à pauta de endurecimento penal que tem dominado o Congresso desde a escalada da violência no Rio. 

O tema também contraria a posição que o Brasil sustentou em foros internacionais, como nas discussões com os Estados Unidos, que pleitearam a inclusão de facções latino-americanas em listas de terrorismo. À época, o Itamaraty e o Ministério da Justiça resistiram ao enquadramento, sob o argumento de que o conceito deveria permanecer restrito a ameaças de motivação política, ideológica ou religiosa.

A iniciativa avança, portanto, num contexto em que o Legislativo tenta ocupar espaço sobre o debate da segurança pública — área que ganhou centralidade após a megaoperação policial no Rio, que deixou mais de 120 mortos. 

A expectativa é que Motta promova votações como vitrine de uma “resposta institucional” às crises de violência urbana, tema que também deve pautar as campanhas municipais e estaduais de 2026.

A PEC da Segurança, por exemplo, deve ser levada ao plenário já na primeira semana de dezembro. 

Nos bastidores, líderes avaliam que a matéria deve ser aprovada com larga maioria, embora haja dúvida sobre a postura do governo no plenário.

Se aprovado, o texto seguirá ao Senado, onde também há projetos em tramitação sobre o tema.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.