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Terra se parte aos poucos: cientistas captam pela 1ª vez ruptura gradual de placa tectônica

Por Redação Juruá em Tempo.28 de outubro de 20253 Minutos de Leitura
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A superfície do planeta pode estar mais viva do que imaginamos. Pesquisadores descobriram que, no noroeste do Pacífico, uma placa tectônica está se rompendo em etapas, e não de uma vez só, como se pensava. A constatação foi feita na Ilha de Vancouver, na região de Cascadia, entre o norte da Califórnia e o sul da Colúmbia Britânica, e revela o delicado processo de fragmentação da placa Juan de Fuca e da placa Explorer, que deslizam sob o oceano.

Segundo materiais divulgados pela Universidade Estadual da Louisiana, liderada pelo geólogo Brandon Shuck, a equipe observou pela primeira vez uma placa de subducção se desintegrando de maneira gradual. “O sistema tectônico não para repentinamente, mas sofre uma série de rupturas graduais”, explicou Shuck. Cientistas combinaram imagens de reflexão sísmica e registros detalhados de terremotos para mapear a evolução interna do fundo do mar, conforme detalhou o Science Daily.

Fragmentação em detalhes

A pesquisa, publicada em setembro na Science Magazine, utilizou ondas sonoras enviadas de um navio para o fundo do oceano, captadas por sensores subaquáticos que formaram imagens detalhadas da estrutura interna. Os dados mostraram fraturas profundas, incluindo uma separação vertical de quase cinco quilômetros. A placa ainda está parcialmente conectada, mas algumas zonas inativas não registram mais atividade sísmica.

Segundo Shuck, quando um segmento se separa completamente, ele deixa de produzir terremotos, porque as rochas não mantêm mais contato. Isso indica que alguns fragmentos já se desprenderam e que a distância entre eles aumenta ao longo do tempo. A equipe identificou que novas microplacas surgem e se integram ao sistema, enquanto a subducção continua em outras áreas, enfraquecendo progressivamente a força descendente da placa principal.

O estudo também relaciona essas rupturas graduais a padrões históricos de microplacas fósseis, como na Baixa Califórnia, ajudando a explicar a origem de fragmentos antigos cuja existência não tinha registro visual direto. Para a universidade, o processo de cisalhamento sucessivo oferece evidências concretas de como essas microplacas se formam e evoluem ao longo de milhões de anos.

Além de mudar a dinâmica das placas, a fragmentação cria “janelas” por onde material quente do manto terrestre pode ascender, favorecendo episódios de vulcanismo temporário e alterando os limites tectônicos. Shuck descreve o fenômeno como uma decomposição progressiva, que deixa um registro geológico consistente com a idade das rochas vulcânicas. Pesquisadores agora investigam como essas fraturas podem afetar os riscos sísmicos atuais e futuros na região de Cascadia, onde grandes terremotos e tsunamis ainda são possíveis.

Por: O Globo.
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