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Acre

A transformação do mercado de trabalho acreano

Por Orlando Sabino. 27/11/2025 08:27
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No artigo de hoje, vamos descrever a ocupação dos trabalhadores acreanos nos últimos 11 anos, por setores da economia. Os dados estão disponíveis no site do IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, especificamente na PNAD Contínua Trimestral, cujo objetivo é oferecer um termômetro permanente do mercado de trabalho, permitindo acompanhar o nível de emprego, o desemprego, a informalidade, o rendimento e as mudanças estruturais na ocupação. Trata-se, atualmente, da principal fonte oficial para medir o desemprego e outras estatísticas do trabalho no Brasil.

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A pesquisa gera informações comparáveis para os estados e grandes regiões. É denominada “contínua” porque coleta dados o ano inteiro, sem interrupção, e “trimestral” porque divulga resultados a cada trimestre móvel, garantindo rapidez e atualização frequente. Além de produzir informações sobre os setores da economia, também caracteriza o tipo de ocupação: trabalho com carteira assinada, trabalho informal, emprego público, conta própria, empregador, trabalho doméstico etc.

A metodologia que vamos utilizar na análise considera os dados dos quartos trimestres de cada ano, desde 2015. A exceção será o ano de 2025, para o qual utilizaremos as informações do terceiro trimestre.

Os dados das pessoas ocupadas no Acre, no período de 2015 a 2015, constam na tabela a seguir:

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Participação da Agropecuária

A série histórica demonstra uma tendência geral de redução da participação da agropecuária no emprego acreano ao longo dos últimos 11 anos, ainda que com oscilações pontuais. O setor, que em 2015 tinha forte peso na ocupação da força de trabalho, perdeu participação relativa até atingir seu menor nível em 2023, recuperando-se levemente nos anos seguintes.

Participação da Indústria

No período revela que a participação da indústria no emprego acreano apresentou oscilações significativas ao longo da década, sem indicar uma trajetória consistente de crescimento. O setor alternou períodos de expansão e retração, mantendo-se, em geral, como um dos menores empregadores relativos da economia estadual.

Participação da Construção

A série histórica mostra uma tendência clara de redução da participação da construção no emprego acreano ao longo do período analisado. Embora apresente algumas oscilações, o setor perdeu espaço de forma gradual e consistente, indicando menor capacidade de absorção de mão de obra em comparação ao início da década.

Participação do Comércio

No período estudado evidência que o comércio se consolidou como um dos principais empregadores da economia acreana ao longo da última década. Diferentemente de setores como agropecuária, indústria e construção, que apresentaram trajetória de queda, o comércio manteve participação elevada e relativamente estável, indicando forte papel na absorção de mão de obra urbana e informal.

Participação dos Serviços Públicos

O estudo do período mostra que os serviços públicos constituíram, ao longo da década, o segundo principal setor empregador do Acre, mantendo participação elevada e crescente no total de trabalhadores ocupados. Os serviços públicos exibem forte estabilidade e tendência ascendente, reforçando o peso do Estado na estrutura ocupacional do território acreano.

Participação dos Serviços Privados: (transporte e armazenamento, Informação e comunicação, Atividades financeiras, Atividades imobiliárias, dentre outros serviços)

A série histórica evidencia que os serviços privados se tornaram o setor mais dinâmico e crescente do mercado de trabalho acreano ao longo da última década. Diferente de setores como agropecuária, indústria e construção — que perderam participação — e até mesmo do setor público — que se manteve estável em patamares altos — os serviços privados apresentaram expansão contínua e estruturada, consolidando-se como o principal motor da ocupação no estado.

Os dados da PNAD Contínua Trimestral mostram que, entre 2015 e 2025, o mercado de trabalho do Acre passou por uma mudança estrutural marcante. Setores tradicionais — agropecuária, indústria e construção — perderam espaço como fontes de emprego, refletindo mecanização, menor investimento produtivo e migração da mão de obra para áreas urbanas.

Nesse período, o comércio manteve participação elevada e estável, confirmando-se como um dos pilares da ocupação no estado. Já os serviços públicos continuaram desempenhando papel central, atuando como base de estabilidade e evidenciando a forte dependência do emprego estatal, sobretudo em municípios com pouca atividade econômica privada.

O destaque, porém, foi a expansão dos serviços privados, que se tornaram o principal setor empregador do Acre. Esse avanço está associado à urbanização, ao crescimento do empreendedorismo, ao trabalho por conta própria e ao dinamismo de atividades como transporte, tecnologia, comunicação e serviços financeiros.

Em síntese, o Acre ingressa em uma fase menos rural e industrial, e mais urbana e orientada a serviços, indicando uma transformação na estrutura do emprego. Para aproveitar essa nova realidade, será fundamental investir em qualificação profissional, inovação, fortalecimento do setor privado e desenvolvimento de cadeias produtivas emergentes como o café, o cacau, as frutas, a bioeconomia, todas através do cooperativismo.

A década analisada revela, portanto, não apenas o retrato do presente, mas o ponto de partida para pensar o futuro do trabalho no Acre.

Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas

 

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