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Política

A batalha pelos estados: o mapa das alianças para 2026

Por Isto É. 25/01/2026 08:07
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Em 2026, a eleição presidencial dividirá espaço com disputas estaduais decisivas para o desenho do próximo ciclo político. A escolha de governadores e senadores ganha peso por influenciar diretamente a formação de palanques, alianças regionais e correlação de forças no Congresso, especialmente em um Senado que terá dois terços das cadeiras renovadas.

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O mapa das disputas pelos governos estaduais é heterogêneo. No cinturão do Sudeste (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), a direita tenta capitalizar o controle de máquinas estaduais e a falta de consenso no campo governista. Já estados como Bahia e Paraná terão atrito, com redutos históricos passando por testes de resistência. Em Goiás e Pará, lideranças locais buscam ampliar projeção nacional a partir de índices de aprovação. No Nordeste e no Sul, casos como Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Sul, indicam disputas abertas, com alianças instáveis e forte polarização.

A batalha mais decisiva, porém, pode ser travada no Senado, onde o domínio da Casa virou prioridade absoluta para a oposição. “Para o bolsonarismo, a eleição do Senado em 2026 tornou-se mais estratégica do que a própria disputa presidencial. O objetivo é consolidar uma ‘cidadela’ conservadora capaz de paralisar um eventual novo governo Lula e confrontar o Judiciário com a ameaça real de impeachments de ministros do STF. Diante desse cenário, a esquerda enfrenta o desafio de conter o avanço dessas lideranças em uma disputa majoritária onde a identificação pessoal do eleitor com nomes de direita é muito forte”, analisa Leandro Consentino, cientista político do Insper.

SP, RJ e MG: o cinturão do Sudeste

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No maior colégio eleitoral do país, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) conta com uma avaliação positiva que, no momento, o coloca em posição de vantagem. Caso tente a reeleição em detrimento da presidência, ele encontrará um campo adversário ainda desarticulado e sem um nome de consenso para o enfrentamento.

Diante da corrida mais garantida – e em um estado de grande retumbância nacional –, Tarcísio parece não se deixar seduzir pelo pleito federal. Ainda que assine números consistentes e seja frequentemente citado pelo centrão como nome de coalizão, a confirmação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desgastou a possibilidade de o governador abrir mão de São Paulo. Na balança, Tarcísio é um dos postulantes que “mais tem a perder”, caso decida abandonar a reeleição em nome da disputa pela presidência.

O PT sonha com Fernando Haddad, mas o ministro, que confirmou a intenção de deixar o cargo ainda neste mês, não se empolga com o Palácio dos Bandeirantes. Já Geraldo Alckmin (PSB), outra opção forte, demonstra conforto na vice-presidência e já declarou que um quinto mandato estadual não está em seus planos. A saída de Alckmin da chapa de Lula poderia deixar a vaga da vice-presidência livre para coligação com uma nova legenda, o que desagrada ao PSB.

No Senado, o quadro é indefinido, mas indica que as duas vagas refletem a polarização nacional. Segundo a Paraná Pesquisas de dezembro, Haddad e Eduardo Bolsonaro (PL) dividem o favoritismo, embora as candidaturas não estejam confirmadas. Guilherme Derrite (Progressistas) e Alexandre Padilha (PT) também surgem como opções fortes e bem avaliadas nas sondagens. Derrite, porém, começa a ser considerado como opção de vice na chapa do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro – o que afastaria o parlamentar da corrida ao senado.

Considerado o principal swing state (estado eleitoralmente indefinido) brasileiro, Minas Gerais também exibe um panorama aberto. Com Romeu Zema fora da disputa estadual para tentar a presidência, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) tem vantagem numérica em pesquisas, seguido por Alexandre Kalil (PDT). Mateus Simões (PSD), atual vice-governador e aposta de Zema, ainda não emplacou.

Para Paulo Vasconcelos, marqueteiro das campanhas vitoriosas de Fuad Noman (PSD), Cláudio Castro (PL) e da candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB) em 2014, “Alexandre Kalil é a maior força que se tem contra Matheus Simões hoje, desde que faça uma campanha profissional. […] Kalil é uma força da natureza; acho o pior adversário que alguém pode ter em uma campanha, justamente pela sua imprevisibilidade.”

No lado governista, ainda falta um rosto definido, mas as últimas movimentações do senador Rodrigo Pacheco reanimam a possibilidade de um candidato sob a aliança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até então, de saída do PSD, Pacheco sinalizava a pretensão de deixar a vida política. No entanto, após conversas com o petista, o senador considera se filiar a um novo partido para concorrer em Minas Gerais. Sondagens incluíram legendas como União Brasil, MDB e PSB.

Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, aposta na candidatura do atual vice-governador mineiro, Mateus Simões, com apoio de Zema. Em outubro de 2025, Simões deixou o Partido Novo para se filiar ao PSD. Esse acordo entre legendas, segundo o próprio governador, garante ao Novo a prerrogativa de indicar o vice da chapa pessedista.

No Senado, a disputa também está congestionada. Segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada em janeiro, quatro candidatos aparecem embolados na margem de erro. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), aparece com 17%, seguida pelo ministro Alexandre Silveira (PSD), que soma 13%. No retrovisor da dupla governista estão o senador Carlos Viana (Podemos) e o secretário de Romeu Zema, Marcelo Aro (PP), ambos com 12%.

No Rio de Janeiro, o Palácio Guanabara virou o quintal de Eduardo Paes (PSD). O prefeito da capital lidera com folga as projeções para o governo e articula uma frente ampla que tenta agradar a Lula sem afugentar o eleitorado conservador do interior.

Se o governo pende ao centro, o Senado fluminense parece reservar pelo menos uma das vagas à direita: Castro está bem na dianteira nos cenários que excluem Flávio Bolsonaro. O verdadeiro nó reside na segunda vaga: um congestionamento de nomes que vai de Benedita da Silva (PT) a Anthony Garotinho (Republicanos), passando por Pedro Paulo (PSD) e Carlos Portinho (PL).

Bahia e Paraná: choque de redutos

Na Bahia, o império petista enfrenta sua maior rachadura em duas décadas. A Quaest de dezembro mostra o ex-prefeito ACM Neto (União), herdeiro político de Antônio Carlos Magalhães, liderando com 41% contra 34% do atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), indicando que o “voto casado” com a imagem de Lula pode não ser o salvo-conduto de outrora.

“Há um descontentamento da população, isso é muito normal de acontecer com governos que duram muito tempo. Acredito que isso represente um alerta muito grande para que a base governista tente, nesses meses que antecedem o início da campanha, trabalhar com efetivas políticas para melhorias na segurança pública, realizar mais ações de divulgação do que já é feito na Bahia, especialmente na área de saúde, escolaridade e transporte, que é um problema num estado tão grande”, analisa Aline Atassio, cientista política e professora da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz), de Ilhéus (BA).

No Senado, a disputa se expande. Os governistas esperam uma “super chapa” para reeleger o líder do governo na casa, Jaques Wagner, e lançar o ministro da Casa Civil, Rui Costa. O movimento desagrada o maior partido do estado, PSD, que possui 115 prefeituras e assina força para redesenhar o equilíbrio político da Bahia. Nesse sentido, Angelo Coronel (PSD) deve tentar a reeleição como senador – candidatura que Jerônimo Rodrigues diz ter intenção de apoiar, na contramão da própria sigla.

No Paraná, a hegemonia da direita blinda o estado contra o avanço governista. Segundo a Real Time Big Data, o governador Ratinho Jr. (PSD) lidera a corrida ao Senado com 31%, consolidando-se como o nome forte do setor caso desista de concorrer ao Planalto. A disputa pela segunda vaga está embolada entre aliados do ex-presidente: Cristina Graeml (14%), Deltan Dallagnol (13%) e Filipe Barros (13%) aparecem em empate técnico. O PT tenta resistir com Gleisi Hoffmann (10%) e Zeca Dirceu (8%), mas enfrenta a dificuldade de furar a bolha em um dos principais redutos da oposição no país.

Já a corrida pelo governo paranaense encontra entraves mais complexos. O principal nome citado entre levantamentos é o do senador Sérgio Moro (União), mas o diretório do PP do Paraná vetou sua candidatura. O Progressistas e o União Brasil arranjam uma federação eleitoral, porém porta-vozes do PP apontam que Moro não consegue adesão nas fileiras do partido. Contrariando os atritos internos, o Paraná Pesquisas de novembro indicou que o ex-juiz possui uma larga vantagem contra os prováveis adversários – o deputado estadual Requião Filho (PDT) e o secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva (PSD).

Goiás e Pará: o espelho de Caiado e a vitrine de Helder

Em Goiás, o cenário para o governo é de continuidade. Com uma aprovação que passa dos 80%, Ronaldo Caiado (União) tenta converter sua popularidade em sucessão. O vice-governador Daniel Vilela (MDB) lidera as intenções de voto, travando um duelo particular com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Focado no Planalto, Caiado atua como o fiador de uma chapa que busca nacionalizar o discurso da segurança pública.

No Senado, a força do governador estende-se à família. A primeira-dama Gracinha Caiado (União) desponta como favorita absoluta, seguida pelo deputado bolsonarista Gustavo Gayer (PL). Assim, Goiás caminha para entregar duas cadeiras alinhadas ao campo conservador, consolidando o estado como um dos maiores bunkers anti-PT do país.

No Pará, Helder Barbalho (MDB) colhe os dividendos políticos da COP30 e prepara uma sucessão tranquila: sua vice, Hana Ghassan (MDB), lidera com 26% das intenções, conforme a Real Time Big Data, enfrentando um campo fragmentado entre o Delegado Éder Mauro (PL) e Dr. Daniel Santos (PSB). A força de Helder, contudo, é plena na disputa pelo Senado. O governador lidera com 55% das intenções, segundo o Paraná Pesquisas de dezembro. A indefinição é na segunda vaga, onde há um duelo entre o ex-ministro Celso Sabino (União), com 22%, e o atual senador Zequinha Marinho (Podemos), com 18%.

Alagoas à direita e Pernambuco com esquerda dividida

O governo de Alagoas aparece distante do campo da esquerda, com favoritismo do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), à frente do ministro dos Transportes e ex-governador Renan Filho (MDB). Em dezembro de 2025, Renan confirmou a saída do governo para focar na disputa estadual. Segundo o Paraná Pesquisas, porém, JHC avançou desde outubro e soma 47,6% das intenções de voto, enquanto Renan recuou para 40,9%.

Além da corrida ao governo, JHC busca ampliar influência no Senado ao projetar a candidatura de sua esposa, Marina Candia – movimento que pode afetar diretamente lideranças tradicionais como o senador Renan Calheiros (MDB) e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP).

Em Pernambuco, o cenário é de instabilidade nas alianças. O PT discute se mantém apoio ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), ou se passa a apoiar a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), vista por parte da legenda como mais alinhada ao discurso petista, apesar de estar atrás nas pesquisas: Campos registra 53,1% de aprovação, contra 31% de Lyra.

Segundo o cientista político da Unicamp Otávio Catelano, um eventual apoio de Lula e do PT à candidatura de Raquel Lyra poderia abalar profundamente a relação do partido com o PSB. “Por muito tempo a vitória de Campos na disputa estadual foi dada como certa, mas o uso da máquina pública fez com que Lyra recuperasse força e a corrida fosse reaberta.”, explica.

No Senado, Humberto Costa (PT) lidera os cenários com média de 24%, seguido pelo ministro Silvio Costa Filho (Republicanos), com 20%, de acordo com o Real Time Big Data.

Ciro no Ceará e coalizão conservadora no Rio Grande do Sul

A disputa pelo governo do Ceará desponta como uma das mais acirradas do país. Levantamento do Real Time Big Data indica empate técnico entre PT e PSDB: o governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) aparecem com 39% das intenções de voto, cenário que se mantém em simulações mais restritas e confirma a forte dualidade estadual. À frente desse cenário incerto, a base governista flerta com a possibilidade de mudar o rumo e apostar na candidatura do ministro da Educação, Camilo Santana (PT), que pode assinar maior envergadura contra Ciro. O petista deve deixar o comando do MEC até abril e afirmou que, caso saia da pasta, será para atuar nas campanhas de Elmano e Lula.

No Senado cearense, a corrida também é competitiva. Segundo o Ipsos-Ipec, o deputado Capitão Wagner (União) lidera com 39%, seguido por Eunício Oliveira (MDB) e Roberto Cláudio (União), que disputam em patamares semelhantes.

Na outra ponta do Brasil, a corrida pelo governo do Rio Grande do Sul projeta a reprodução da polarização nacional, com direita e esquerda articulando frentes contra o grupo político do governador Eduardo Leite (PSD). À direita, PL e Novo formam uma frente liderada por Luciano Zucco (PL), com 29,3%, enquanto o campo progressista aposta em Edegar Pretto (PT), com 17%, e Juliana Brizola (PDT), com 11%.

Para o Senado, Eduardo Leite (PSDB) e Manuela D’Ávila (Psol) lideram com 19% e 16%, respectivamente, seguidos de perto por Paulo Pimenta (PT) e Marcel van Hattem (Novo), ambos com 15% – além de Ubiratan Sanderson (PL), com 12%, indicando uma disputa aberta.

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