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Brasil

Canetas emagrecedoras movimentam R$ 10 bi no Brasil e já são 4% do mercado farmacêutico

Por Isto É. 09/01/2026 07:41
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Os agonistas do GLP-1, popularmente apelidados de “canetas emagrecedoras”, movimentaram em 2025 cerca de R$ 10 bilhões, o que corresponde a aproximadamente 4% do tamanho total do mercado de varejo farmacêutico no Brasil. Os dados são de relatório publicado pelo Itaú BBA.

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Relatório da XP Research chegou a uma estimativa similar, de entre R$ 9 bi e R$ 10 bi para o mercado de agonistas do GLP-1 no país. A plataforma de análises aponta ainda que houve um crescimento de 77% ano a ano nas importações destes medicamentos trimestre de 2025.

O impacto já é sentido pelas varejistas do setor. Atualmente, esses medicamentos representam entre 8% e 9% da receita da RD Saúde (que abarca as farmácias Raia e Drogasil), Pague Menos e Panvel. O Itaú BBA projeta ainda que, até 2030, essa proporção possa chegar a 20%.

O relatório aponta ainda que o mercado deve atingir pelo menos R$ 50 bilhões até 2030, com cerca de 15 milhões de usuários.

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Quais marcas dominam o mercado?

Atualmente, duas fabricantes dominam o mercado de agonistas do GLP-1: a dinamarquesa Novo Nordisk e a estadunidense Eli Lilly. Estudo da Close Up International comparou em market share os quatro agonistas do GLP-1 mais vendidos pelas duas empresas: a dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

Até abril de 2025, a semaglutida (Wegovy e Ozempic, da Novo Nordisk) dominava amplamente o mercado com 96,6% das vendas. A fatia restante dividia-se entre a liraglutida (Saxenda e Victoza, também da Novo Nordisk), com 2,7%, e a dulaglutida (Trulicity, da Eli Lilly), com 0,7%.

Em maio, a chegada do Mounjaro, da Eli Lilly, transformou o cenário. Com a substância ativa tirzepatida, o medicamento possui efeitos consideravelmente mais fortes do que os concorrentes. O resultado foi um avanço do marketshare até alcançar 49,6% das vendas em agosto de 2025, último mês incluído no relatório.

O mês marcou ainda o lançamento das primeiras versões nacionais da liraglutida, Olire e Lirux, ambos da fabricante EMS. A patente da substância havia caído em 2024. Logo em sua estreia, esses produtos mais baratos alcançaram 1,4% de share em valor de vendas e 3,5% de participação no mercado total em unidades.

Com a queda da patente da semaglutida em março de 2026, o mercado pode ter um novo impulso. O Itaú BBA estima uma queda de 30% no preço do medicamento no primeiro ano pós-patente, chegando a uma redução de 50% em cinco anos. Um mercado de genéricos ou similares poderia assim movimentar R$ 8,4 bilhões já em 2027.

Quem perde

Os estudos apontam ainda que os impactos da popularização das “canetas emagrecedoras” podem respingar em outros setores, sobretudo para as fabricantes de bebidas alcoólicas e de alimentos com alto teor de açúcar e gordura.

Segundo informações do Itaú BBA, um estudo com 150 mil usuários dos medicamentos nos Estados Unidos apontou quedas nos consumos de salgadinhos e petiscos (-10,1%), doces de padaria (-8,8%) e biscoitos (-6,5%).

O que são os agonistas do GLP-1

A classe dos agonistas de GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon) consolidou-se como uma revolução no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Os medicamentos do grupo simulam hormônios, reduzindo a glicose no sangue e aumentando a sensação de saciedade.

Atualmente, o mercado brasileiro é disputado por quatro moléculas principais: a tirzepatida (Mounjaro), a semaglutida (Ozempic e Wegovy), a Liraglutida (Saxenda, Victoza, Olire e Lirux) e a Dulaglutida (Trulicity). Para além do preço, elas variam entre si na eficácia e na possibilidade de efeitos colaterais.

O relatório do Itau BBA aponta um cenário futuro com uma diversificação ainda maior, destacando as moléculas Retatrutida (medicamento da Eli Lilly que promete mitigar a perda de massa magra) e o Orforglipron (também da Eli Lilly, uma versão oral que visa aumentar a conveniência e a adesão ao tratamento).

Outra novidade a caminho é uma versão oral da semaglutida, cuja comercialização como “Wegovy em comprimido” pela Novo Nordisk nos Estados Unidos começou na última segunda-feira, 5. A empresa ainda não submeteu o medicamento para aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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