Com a insistência do presidente Lula (PT) para fazer do senador Rodrigo Pacheco (PSD) seu candidato a governador de Minas Gerais e a interrupção dos contatos de petistas, aliados relatam que Alexandre Kalil (PDT) começou a organizar sua campanha ao Palácio Tiradentes de forma “independente”.
A IstoÉ apurou que, no entorno do ex-prefeito de Belo Horizonte, a ideia de não contar com o PT no palanque no primeiro turno foi fortalecida por pesquisas de consumo interno que mostram uma forte rejeição à polarização entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no estado.
Nos levantamentos, Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera as intenções de voto e Kalil chega a empatar tecnicamente com o senador. A preferência dos entrevistados por um governador que não esteja associação a direita ou esquerda — Cleitinho é bolsonarista, apesar de rusgas recentes com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) –, no entanto, anima aliados do pedetista.
Neste cenário, o ex-prefeito disputaria o primeiro turno com bom trânsito na esquerda, mas sem se associar a sua rejeição e, caso avance ao segundo turno, poderia receber o apoio do PT — cenário similar ao que ocorreu na reeleição de Fuad Noman (PSD, morto em 2025) à prefeitura de Belo Horizonte, em 2024 — e dar palanque ao presidente.
Alexandre Kalil (PDT) posa ao lado de Lula durante evento em 2022: aliança formal pode não se repetir no segundo turno de 2026
As idas e vindas de Kalil e PT
Derrotado por Romeu Zema (Novo) na última eleição estadual, Kalil deu palanque a Lula no pleito e, desde então, não voltou a falar com o presidente. A reaproximação com o governo se deu em outubro de 2025, quando Pacheco passou a se movimentar pela vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso e o ex-prefeito se filiou ao PDT para concorrer novamente a governador.
No período, Kalil teve conversas com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Os contatos foram interrompidos, no entanto, depois que Lula escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, como seu indicado à vaga no Supremo e voltou a flertar com Pacheco candidato.
Na política mineira, a avaliação é de que o ex-presidente do Senado não deve disputar a eleição. Diante da possibilidade, petistas passaram a cogitar outros nomes, como o de Sandra Goulart, reitora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), para garantir que Lula tenha palanque no segundo maior colégio eleitoral do país; assim, o pedetista poderia ser um dos candidatos ao Senado na chapa — possibilidade que ele rejeita.
Mesmo em boa posição nas pesquisas, o apoio do partido a Kalil passou a se restringir a Marília Campos, prefeita de Contagem — segunda maior cidade administrada pelo PT no país — e pré-candidata ao Senado. “Se Pacheco declina e Kalil se coloca, temos que apoiar de primeira mão e trabalhar essa liderança. Não podemos perder o bonde da história”, afirmou a prefeita à IstoÉ no final de 2025.

