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Quem é a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus presa por ligação com ‘núcleo político’ do CV

Por Redação Juruá em Tempo.20 de fevereiro de 20264 Minutos de Leitura
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Entre os alvos da operação deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas contra um esquema de tráfico de drogas ligado ao Comando Vermelho, está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida (União), este que não faz parte da estrutura criminosa. Anabela é suspeita de integrar um grupo que utilizava empresas de fachada para adquirir drogas da Colômbia e levá-las a capital amazonense, com movimentações financeiras que chegam a R$ 70 milhões desde 2018. Procurada pelo GLOBO, a prefeitura de Manaus ressaltou que Almeida e a estrutura administrativa municipal não fazem parte das investigações.

Além dela, estão pessoas que compõem um “núcleo político” da facção, com suspeitos que possuem acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Até o momento, 14 pessoas foram detidas, sendo oito no Amazonas. Também há servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores parlamentares.

Anabela é formada em direito pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa), em 2004, e pós-graduada em Segurança Pública e Inteligência Policial pela Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro), em 2012. Desde 2011, ela é investigadora da própria Polícia Civil do estado, com salário estimado em R$ 20.923,69 em 2025.

A advogada foi cedida para a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas em 2015, com dedicação exclusiva, atuando como assessora da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).

A partir de 2019, passou a trabalhar como chefe de gabinete do então prefeito Arthur Virgílio Neto (MDB). Ela foi exonerada da função, já sob a gestão de David Almeida, em 2023, conforme publicado no Diário Oficial da capital no dia 31 de outubro.

Em janeiro de 2025, Anabela foi designada para a Comissão de Licitação da Prefeitura, nomeada por Almeida, cargo no qual permanece.

‘Narrativas mentirosas’

Em nota enviada ao GLOBO, a prefeitura de Manaus ressaltou que o prefeito e a estrutura administrativa não fazem parte das investigações. A gestão municipal condenou o que definiu como “narrativas mentirosas” propagadas por setores da política como o objetivo de “distorcer os fatos”.

“É inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos”, diz o comunicado.

Segundo a Secretaria Municipal de Comunicação, “qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública”.

‘Núcleo político’

Denominada Erga Omnes, a ação investiga práticas que envolvem tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. A ação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em Manaus e nas cidades de Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA). O mapeamento da ligação com membros em outros estados foi feito a partir da extração de dados telemáticos de celulares.

Em relação à capilaridade política dos envolvidos, as investigações mostraram “indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais”.

Relatórios de inteligência financeira também apontaram “incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica” declarada pelos envolvidos e pelas empresas vinculadas.

Confira a lista dos oito presos no AM:

  • Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
  • Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
  • Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023;
  • Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
  • Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
  • Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
  • Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema.
  • Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara (AM).

Além dos mandados de prisão e busca e apreensão, a polícia solicitou à Justiça a quebra de sigilo bancário e fiscal, o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos suspeitos.

“As diligências apontaram que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e estruturação em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico”, informou a Polícia Civil.

Por: O Globo.
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