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Ucrânia paga para que soldados congelem esperma; entenda o porque

Por Redação Juruá em Tempo.18 de fevereiro de 20263 Minutos de Leitura
Faceless mother with naked baby, infant holding mommy's finger, mum spending time with her tiny child on light background.
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Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, clínicas privadas de fertilidade no país passaram a oferecer aos militares a chamada criopreservação. A técnica consiste no congelamento gratuito de espermatozoides ou óvulos, como forma de garantir a possibilidade de terem filhos caso sofram ferimentos em combate ou tenham sua fertilidade comprometida.

A Ucrânia já vivia uma crise demográfica, cenário que se intensificou com a guerra. O congelamento de gametas surge como uma alternativa para garantir o crescimento populacional.

“Nossos homens estão morrendo. O patrimônio genético ucraniano está morrendo. Trata-se da sobrevivência da nossa nação”, afirmou um soldado ucraniano, identificado como Maxim, em entrevista à BBC.

Desde 2023, o governo ucraniano regulamenta e fornece financiamento estatal para a prática. Quando foi implementado, ela chegou a causar polêmica ao estipular que todas as amostras deveriam ser destruídas após a morte do doador.

O caso de uma viúva de guerra que tentou ter um filho utilizando o esperma congelado do marido, mas foi impedida, reacendeu o debate sobre a legislação.

A repercussão levou à posterior alteração da lei, garantindo que todas as amostras de soldados sejam preservadas gratuitamente por até três anos após a morte e possam ser utilizadas pelo parceiro, desde que haja consentimento prévio por escrito.

“Nossos soldados estão defendendo nosso futuro, mas podem perder o deles, então queríamos dar a eles essa chance”, disse a deputada Oksana Dmitrieva à BBC. “É para apoiá-los, para que possam usar o esperma mais tarde.”

A parlamentar incentiva os soldados a falarem sobre eventuais problemas de fertilidade e a considerarem o congelamento de esperma. “Também estamos pensando no futuro e em todos os jovens que perdemos. Precisamos substituí-los”, acrescenta Dmitrieva. “Este é um pequeno passo para melhorar a situação demográfica”, afirmou à BBC.

Baixa procura
O Centro de Medicina Reprodutiva de Kiev, administrado pelo Estado, passou a incluir, em janeiro, soldados no programa de congelamento de sêmen.

Segundo a BBC, até o momento apenas cerca de doze pessoas se inscreveram. A clínica acredita que esse número deva aumentar.

O número de gestantes atendidas pela clínica caiu pela metade desde o início da guerra com a Rússia. “Se as mulheres estão estressadas, elas podem ter problemas com a menstruação. Está tudo interligado”, disse Holikova à BBC. “Cerca de 60% das minhas pacientes tomam antidepressivos, incluindo pessoas com ataques de pânico por causa dos mísseis e drones.”

Há também o grupo que enfrenta a chamada “síndrome da vida tardia”, caracterizada pelo adiamento de decisões importantes, como a maternidade e a paternidade. “As mulheres têm medo de engravidar se tiverem que acabar correndo para abrigos antibombas”, aponta Holikova.

Por: R7.
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