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Ucrânia paga para que soldados congelem esperma; entenda o porque

Por R7. 18/02/2026 11:46
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Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, clínicas privadas de fertilidade no país passaram a oferecer aos militares a chamada criopreservação. A técnica consiste no congelamento gratuito de espermatozoides ou óvulos, como forma de garantir a possibilidade de terem filhos caso sofram ferimentos em combate ou tenham sua fertilidade comprometida.

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A Ucrânia já vivia uma crise demográfica, cenário que se intensificou com a guerra. O congelamento de gametas surge como uma alternativa para garantir o crescimento populacional.

“Nossos homens estão morrendo. O patrimônio genético ucraniano está morrendo. Trata-se da sobrevivência da nossa nação”, afirmou um soldado ucraniano, identificado como Maxim, em entrevista à BBC.

Desde 2023, o governo ucraniano regulamenta e fornece financiamento estatal para a prática. Quando foi implementado, ela chegou a causar polêmica ao estipular que todas as amostras deveriam ser destruídas após a morte do doador.

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O caso de uma viúva de guerra que tentou ter um filho utilizando o esperma congelado do marido, mas foi impedida, reacendeu o debate sobre a legislação.

A repercussão levou à posterior alteração da lei, garantindo que todas as amostras de soldados sejam preservadas gratuitamente por até três anos após a morte e possam ser utilizadas pelo parceiro, desde que haja consentimento prévio por escrito.

“Nossos soldados estão defendendo nosso futuro, mas podem perder o deles, então queríamos dar a eles essa chance”, disse a deputada Oksana Dmitrieva à BBC. “É para apoiá-los, para que possam usar o esperma mais tarde.”

A parlamentar incentiva os soldados a falarem sobre eventuais problemas de fertilidade e a considerarem o congelamento de esperma. “Também estamos pensando no futuro e em todos os jovens que perdemos. Precisamos substituí-los”, acrescenta Dmitrieva. “Este é um pequeno passo para melhorar a situação demográfica”, afirmou à BBC.

Baixa procura
O Centro de Medicina Reprodutiva de Kiev, administrado pelo Estado, passou a incluir, em janeiro, soldados no programa de congelamento de sêmen.

Segundo a BBC, até o momento apenas cerca de doze pessoas se inscreveram. A clínica acredita que esse número deva aumentar.

O número de gestantes atendidas pela clínica caiu pela metade desde o início da guerra com a Rússia. “Se as mulheres estão estressadas, elas podem ter problemas com a menstruação. Está tudo interligado”, disse Holikova à BBC. “Cerca de 60% das minhas pacientes tomam antidepressivos, incluindo pessoas com ataques de pânico por causa dos mísseis e drones.”

Há também o grupo que enfrenta a chamada “síndrome da vida tardia”, caracterizada pelo adiamento de decisões importantes, como a maternidade e a paternidade. “As mulheres têm medo de engravidar se tiverem que acabar correndo para abrigos antibombas”, aponta Holikova.

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