O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) publicou o resultado do pregão eletrônico que escolhe a empresa para fazer a manutenção em trechos da BR-364 no Acre que somam 80,80 km. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira (23).
O Consórcio EMT-Colorado II, de Cruzeiro do Sul, interior do Acre, formado pelas empresas EMT Construtora LTDA e Construtora Colorado LTDA, foi o vencedor do pregão. O valor homologado é de R$ 121,5 milhões.
A manutenção será feita em trechos como na fronteira entre o Acre e o Peru, além de municípios do Vale do Juruá, como Marechal Thaumaturgo e Rodrigues Alves, no interior do estado.
Em janeiro deste ano, o Dnit declarou situação de emergência em um trecho da BR-364, no Acre, devido ao grave estado de degradação que se encontrava o km 722 da rodovia em Cruzeiro do Sul.
A medida é um protocolo tomado pela autarquia, uma vez que a execução dos reparos ocorreram ainda no final do ano passado.
Problemas frequentes e antigos
Em 2025, protestos e debates foram feitos, desde caravanas a Cruzeiro do Sul, até audiências públicas para discutir a revitalização da BR-364, que está em péssimas condições de conservação.
Em agosto do ano passado, a situação aparentou se encaminhar para sua resolução com o anúncio do investimento de mais de R$ 800 milhões, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para a recuperação da rodovia que corta o estado.
A BR-364 no Acre liga municípios importantes como Rio Branco, Bujari, Sena Madureira, Manoel Urbano, Feijó, Tarauacá, Rodrigues Alves, Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul.
Ao todo, a rodovia abrange mais de 634 mil pessoas, o equivalente a mais de 70% da população do estado.
O Acre possui duas rodovias federais estratégicas:
- BR-364, que corta o estado de leste a oeste e garante o abastecimento da região do Juruá, onde vivem mais de 300 mil pessoas;
- BR-317, que conecta Rio Branco à fronteira com o Peru, em Assis Brasil, e abre caminho para a chamada “rota do Pacífico”.
Historicamente, os trechos dessas estradas sofrem com os impactos das chuvas amazônicas, que transformam a pista em lamaçal durante o inverno.
Em 2016, por exemplo, o problema já era evidente com tráfego interrompido. Naquela época, o Dnit já previa o custo de mais de R$ 1 bilhão para a restauração da rodovia. Desde então, a BR-364 passa por projeto de restauração. Contudo, o problema não era resolvido.
Em 2023, a superintendência regional do Dnit declarou situação de emergência em alguns trechos do km 620 ao km 682 entre o Rio Gregório e o Rio Liberdade, que ficam entre as cidades de Tarauacá e Cruzeiro do Sul.
Desde a publicação do decreto de emergência, esses trechos críticos passaram por serviços paliativos, com os buracos sendo tapados com pedras e pó de pedra para garantir a circulação dos veículos na estrada.
Os trechos que não estavam inseridos no decreto de emergência também passaram por manutenção com serviços convencionais com asfalto.

