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O café é o novo cacau? Entenda por que especialistas preveem queda drástica nos preços

Por Redação Juruá em Tempo.18 de março de 2026Updated:18 de março de 20263 Minutos de Leitura
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Alguns especialistas do setor cafeeiro têm feito comparações entre os mercados de café e cacau, projetando que os preços do café cairão nos próximos meses, da mesma forma que as cotações do cacau despencaram depois que o ingrediente para a fabricação de chocolate atingiu o maior valor de todos os tempos em 2024.

A possibilidade de o café repetir a curva descendente de preços do cacau foi o foco das discussões na convenção anual da National Coffee Association, realizada na semana passada em Tampa, Flórida.

“Eu ficaria chocado se isso não acontecesse”, disse Carley Garner, estrategista sênior de commodities da DeCarley Trading, uma divisão da Zaner. “Acho que o café é o novo cacau”, disse ela.

Os preços do cacau em Nova York atingiram uma máxima recorde em dezembro de 2024, acima de US$12.000 por tonelada, uma vez que o clima ruim nos países produtores restringiu a oferta. Porém, pouco mais de um ano depois, o cacau despencou mais de 70%, pois os consumidores reduziram o consumo de chocolate de alta qualidade e os fabricantes reduziram o tamanho das embalagens ou reformularam as barras com alternativas mais baratas ao cacau.

Assim como o cacau, o café arábica também aumentou, pois o clima negativo nos trópicos prejudicou a produção. Ele atingiu um recorde em fevereiro de 2025 e permaneceu caro, pois as tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, distorceram o comércio de café. A expectativa de uma forte recuperação da produção no Brasil, o maior produtor, no entanto, levou os preços a cair este ano.

“Acho que os preços do café chegarão a US$ 2 (por libra-peso) até o final do ano”, disse Garner. Ela acredita que os preços altos estão prejudicando a demanda.

Digby Beatson-Hird, analista de café da Avere Commodities, acredita que o café de Nova York cairá ainda mais, para US$1,80 por libra-peso este ano. O mercado fechou a US$2,9475 por libra-peso na quarta-feira.

Cortando custos

Uma pesquisa da NCA com 1.500 pessoas nos EUA em janeiro constatou que 61% dos entrevistados tomaram medidas para cortar os gastos com café. Alguns reduziram suas visitas a cafeterias e passaram a beber mais em casa, enquanto outros mudaram para marcas mais baratas.

O número de consumidores de café, entretanto, não caiu, disse a NCA.

O setor também reagiu, disse David Behrends, sócio e diretor de trading da Sucafina SA, um dos maiores comerciantes de café do mundo.

Os arábicas suaves mais caros, como os cafés da Colômbia e da América Central, perderam participação no mercado, disse ele, enquanto os grãos robusta mais baratos ganharam.

A demanda por café estagnou em 2025, disse Carlos Mera, analista-chefe de café do banco holandês Rabobank, que não registrou crescimento no ano passado em comparação com um aumento histórico da demanda de 2,3% ao ano antes da pandemia.

Mera disse que a recente queda de preço do café acabará chegando aos consumidores e impulsionará a demanda novamente. Ele espera um aumento de 2% em 2026.

Os números da demanda mostram uma diferença acentuada entre o café e o cacau, e podem explicar por que alguns duvidam que os preços do café cairão como aconteceu com o cacau.

A expectativa de uma safra recorde de café no Brasil pode não trazer muito alívio aos preços no mercado, segundo os analistas.

Os agricultores estão bem capitalizados e venderão gradualmente, provavelmente mantendo alguns volumes para reabastecer seus estoques, disse Cleber Castro, representante de vendas de dezenas de fazendas no Brasil.

Por: Isto É.
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