Cerca de 100 lideranças indígenas do Acre (Brasil) e da região de Ucayali (Peru) participam, entre os dias 24 e 26 de março, em Cruzeiro do Sul (AC), do Seminário Aliança Transfronteiriça em Defesa dos Povos, das Águas e das Florestas Amazônicas. O encontro busca fortalecer ações conjuntas diante do avanço de ameaças como desmatamento, narcotráfico, invasões territoriais e mineração ilegal.
Representando mais de 14 povos indígenas — incluindo grupos isolados e de recente contato —, os participantes denunciam um cenário de pressão crescente sobre seus territórios e modos de vida. A região, considerada uma das mais preservadas da Amazônia, abriga 35 terras indígenas, 8 unidades de conservação e importantes nascentes hidrográficas.
O seminário integra a programação da 10ª reunião da Comissão Transfronteiriça Juruá/Yurúa/Alto Tamaya e reúne, além de lideranças indígenas, especialistas, organizações da sociedade civil e representantes de instituições públicas do Brasil e do Peru.
Entre os principais temas em debate estão o avanço do crime organizado na fronteira, a abertura de estradas — legais e ilegais — e seus impactos socioambientais, além da proteção de nascentes e de povos indígenas isolados.
Lideranças alertam para a fragilidade na garantia de direitos e cobram maior atuação dos governos. “É um direito assegurado na lei, mas negado diariamente”, afirmou Francisco Piyãko, da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ).
Ao final do encontro, será apresentada a Carta de Cruzeiro do Sul, com propostas para fortalecer a cooperação internacional e ampliar mecanismos de proteção da região amazônica.
Com informações da Assessoria de Imprensa


