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COTIDIANO

Áudios ligam MC Ryan e MC Poze do Rodo a esquema de R$ 1,6 bilhão

Por Isto É. 20/04/2026 09:36 Atualizado em 20/04/2026 09:36
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Os MCs Ryan SP e Poze do Rodo são suspeitos de estarem no centro de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro por meio da exploração de rifas clandestinas.

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Na ação, deflagrada no dia 15 de abril, agentes federais cumpriram mandados em oito estados e no Distrito Federal, resultando na prisão de Ryan, em Bertioga, litoral de São Paulo, e de Poze do Rodo, no Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, o dinheiro oriundo de rifas clandestinas e jogos ilegais era inserido no sistema financeiro com aparência de legalidade, misturado a receitas declaradas de shows, contratos musicais e publicidade digital. As apurações da Polícia Federal apontam que o funcionamento do esquema dependia de um sistema complexo de transações financeiras pulverizadas.

Um dos exemplos mencionados pelos investigadores indica que R$ 5 milhões eram transformados em quase 500 transferências de R$ 10 mil cada. Essa estratégia permitia ocultar valores ilegais em contas com alto volume de movimentação financeira; a engrenagem teria movimentado R$ 1,6 bilhão.

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Em áudio ao qual o programa “Fantástico”, da TV Globo, teve acesso, o MC Ryan disse: “Nunca é bom falar dos resultados das plataformas, tá ligado? Na época do Tigrinho estava bom mesmo, eu estava arregaçando”.

Ainda de acordo com as investigações, no centro da engrenagem estava o contador Rodrigo Morgado, responsável por estruturar empresas, intermediar pagamentos, orientar sobre proteção patrimonial e operar a conversão de recursos, inclusive em criptomoedas.

“Eu tenho um cliente aqui que tem uma casa de aposta e queria saber quanto que tá pra vc divulgar a casa dele?”, questionou Morgado a Ryan, que respondeu: “Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 [mil]. Mas se não for muito seu amigo, pode falar que é R$ 400 [mil]”.

De acordo com a Polícia Federal, Ryan também recebia milhões em criptomoedas. A investigação aponta que o elo entre São Paulo e Rio de Janeiro no esquema bilionário ocorria por meio de um sócio do MC Poze do Rodo.

Ao “Fantástico”, a defesa de Rodrigo Morgado afirmou que ele atua dentro dos limites legais da profissão e que comprovará sua inocência. Já os representantes legais de MC Ryan e MC Poze do Rodo negaram qualquer envolvimento com atividades criminosas e sustentam que todas as movimentações financeiras têm origem lícita.

Relembre o caso

O influenciador Raphael Sousa Oliveira, proprietário da página Choquei, está entre os presos na Operação NarcoFluxo, da Polícia Federal, deflagrada nesta quarta-feira, 15. Além dele, os cantores MC Poze do Rodo e MC Ryan também são alvos da operação, que visa desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e movimentação ilícita de valores. A investigação aponta que o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar a origem de recursos provenientes de atividades criminosas.

No total, os agentes cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), em endereços localizados nos seguintes estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás; e no Distrito Federal. Além da prisão de MC Poze do Rodo no Rio, em Bertioga, no litoral paulista, policiais federais também detiveram o funkeiro MC Ryan SP.

De acordo com a PF, a ação desta quarta-feira é um desdobramento de e apurações anteriores que identificaram a atuação do grupo em esquemas de lavagem de capitais. “As investigações apontam que os envolvidos utilizavam um sistema para ocultação e para dissimulação de valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de numerário em espécie e transações com criptoativos. O volume financeiro movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão”, informou a PF em nota.

Os suspeitos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas. A IstoÉ procurou a defesa do dono da Choquei, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

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