O estado do Acre registrou ao menos 1.191 conflitos socioambientais entre 2002 e 2023, segundo dados do Observatório Socioambiental, lançado na última segunda-feira (27) pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). A plataforma inédita cruza informações sobre violência no campo, uso da terra e degradação ambiental, evidenciando a forte relação entre expansão econômica e conflitos no território.
Os dados mostram que a maior parte dos conflitos no estado está ligada diretamente à disputa por terra. Foram 895 ocorrências, o equivalente a 75,1% do total. Em seguida aparecem os casos de trabalho escravo (189 registros, ou 15,9%), e violência contra pessoas (104 casos, ou 8,7%). Já os conflitos relacionados à água são minoritários, com apenas 3 registros (0,3%).

A concentração dos conflitos fundiários no Acre acompanha uma tendência nacional. Segundo o próprio observatório, a disputa por território é o principal motor da violência no campo brasileiro, cenário que se intensifica com o avanço da fronteira agrícola e a pressão sobre áreas ocupadas por povos indígenas, comunidades tradicionais e pequenos produtores.
Além da violência, os dados ambientais reforçam o impacto da ocupação sobre o território acreano. O estado acumula mais de 1,33 milhão de hectares desmatados no período analisado. Desse total, 51,3 mil hectares correspondem a desmatamento não autorizado, enquanto 3.045 áreas sofreram embargos por irregularidades ambientais.

Outro dado que chama atenção é o avanço das queimadas. O observatório aponta que o Acre teve mais de 4,23 milhões de hectares atingidos pelo fogo, evidenciando a pressão contínua sobre a floresta amazônica.

