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Empresa dos EUA compra única mina de terras raras do Brasil por US$ 2,8 bi

Por Redação Juruá em Tempo.20 de abril de 20263 Minutos de Leitura
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A americana USA Rare Earth (USAR), empresa listada na Nasdaq, anunciou nesta segunda-feira (20) a assinatura de um acordo para adquirir 100% do Serra Verde Group, dono da única mina que produz e processa terras raras no Brasil.

A transação foi estimada em cerca de US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões) e será paga com US$ 300 milhões em dinheiro e uma outra parte em ações: a USAR fará a emissão de 126,8 milhões de novas ações ordinárias, com base no preço de fechamento de US$ 19,95 em 17 de abril.

A transação, prevista para ser concluída no terceiro trimestre, acontece em meio a uma corrida por fontes alternativas à China, que controla esse mercado. 

Terras raras são um grupo de elementos que, junto com minerais como lítio, nióbio e cobalto, compõem a categoria dos chamados minerais estratégicos: insumos essenciais para veículos elétricos, armamentos e chips, entre outros produtos. 

A China domina a produção e o processamento desses materiais e esse virtual monopólio a beneficia em disputas geopolíticas. Depois de abandonar essa cadeia, os americanos viram o futuro de algumas indústrias estratégicas vulneráveis às políticas restritivas chinesas.  

A Serra Verde, localizada em Goiás, é a única mineradora fora da Ásia a extrair em escala comercial os quatro elementos mais cobiçados dos 17 que são chamados de terras raras, segundo o Ministério de Minas e Energia. Segundo a USAR, essa caraterística faz a Serra Verde ser um “ativo único” fora da Ásia. 

Esses minérios são estratégicos para a expansão da inteligência artificial (IA), transição energética e sistemas de defesa. 

Da mina ao imã

Os Estados Unidos estão tentando montar uma cadeia alternativa. Um dos pontos centrais do negócio de terras raras é a criação de uma cadeia integrada de produção. Hoje, mesmo quando a mineração ocorre fora da China, grande parte do processamento e da fabricação de ímãs ainda depende do país asiático.

A aposta da USA Rare Earth é verticalizar essa produção. Além de extrair e separar os minerais, a empresa quer avançar até a fabricação de ímãs. A ideia é conectar a produção brasileira com plantas industriais nos EUA, França e Reino Unido. 

“Além do conhecimento pioneiro da Serra Verde em mineração e processamento de terras raras, a empresa resultante da fusão terá acesso à melhor tecnologia de separação, processamento e metalurgia de terras raras por meio de suas próprias operações e parcerias estratégicas, que abrangem os EUA e seus aliados”, disse a empresa no comunicado sobre a aquisição da companhia.

Com isso, a empresa busca criar a primeira cadeia de suprimentos de terras raras totalmente integrada “da mina ao ímã” fora da Ásia. 

A unidade da Serra Verde tem capacidade de produzir cerca de 5 mil toneladas por ano desses minerais já processados. Toda a produção inicial está comprometida em um contrato de 15 anos da mineradora com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) financiada por agências do governo americano e investidores privados. 

O acordo inclui preços mínimos garantidos para os principais elementos, assegurando previsibilidade de receita mesmo em cenários de queda nos preços internacionais.

A Serra Verde obteve recentemente um financiamento de US$ 565 milhões do braço de investimentos no exterior do governo americano, com a condição de que parte da produção deve ter como destino o país ou “partes alinhadas”.

Por: redação.
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