Em meio à crise econômica mais grave já enfrentada por Cuba desde o colapso da União Soviética, agravada pelo bloqueio americano de petróleo à ilha, as gerações mais jovens da família dos revolucionários irmãos Fidel Castro e Raúl Castro, ex-presidente cubano de 94 anos, têm assumido posições de destaque na liderança do país. Segundo fontes do jornal americano Wall Street Journal, o filho de Raúl Castro, Alejandro Castro Espín, e o neto mais velho do ex-mandatário, Raúl Rodríguez Castro, têm participado ativamente das negociações entre Havana e Washington, se reunindo com autoridades americanas para discutir a situação na ilha comunista e uma possível diminuição nas tensões com os Estados Unidos diante das reiteradas ameaçadas feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, desde que retomou o comando da Casa Branca em 2025.
Uma geração mais jovem da família Castro está ascendendo a posições de influência enquanto Cuba enfrenta sua mais profunda crise econômica e política desde o colapso da União Soviética. A família de Raúl Castro — o ex-presidente de 94 anos e irmão de Fidel Castro — está em ascensão enquanto Havana mantém conversas com os EUA sobre a redução das tensões com o presidente Trump. O têm se reunido com autoridades americanas, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, ressaltando a importância contínua da família Castro nos assuntos cubanos.
Ainda que não ocupe nenhum cargo oficial há cinco anos, Raúl Castro é o patriarca da opaca estrutura de poder de Cuba, descreve o WSJ, ainda que sua idade lhe configure uma certa imagem de fragilidade. Sua última aparição pública foi em meados de janeiro, em uma cerimônia para receber os restos mortais de 32 soldados cubanos mortos por militares americanos durante a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, em 3 de janeiro.
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Ao lado do avô em praticamente todas as suas aparições públicas, Raúl Rodríguez Castro, de 41 anos, é o neto mais velho do líder revolucionário e também nomeado como o “favorito” de Raúl, segundo relatos mencionados pelo jornal americano. Rodríguez Castro também é conhecido como “o caranguejo” por ter nascido com um sexto dedo em uma das mãos. Ele foi enviado para se encontrar com autoridades americanas quando o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participou de uma conferência na ilha caribenha de São Cristóvão, em fevereiro, disseram fontes do WSJ.
Rodríguez Castro frequentou a escola militar e integrou a equipe de segurança do avô enquanto estudava contabilidade e finanças na Universidade de Havana. Homem de confiança do ex-presidente, o coronel cubano já teve a fama de ser um “bon vivant”, que aparecia frequentemente em vídeos a bordo de um iate em Miami. Recentemente, no entanto, é mais comum vê-lo jantando com diplomatas europeus que o consideram uma figura influente, disse um empresário americano que frequenta os mesmos círculos.
Entre os parentes influentes de Raúl Castro se destaca também seu único filho, Alejandro Castro Espín, general do Ministério do Interior. Castro Espín é conhecido como “El Tuerto”, ou “o caolho”, devido a uma lesão ocular sofrida em um acidente enquanto servia em Angola com tropas cubanas. Considerado um linha-dura, Castro Espín, autor de um livro sobre os EUA intitulado “Império do Terror”, foi o principal negociador cubano nas discussões secretas que levaram ao restabelecimento surpresa das relações diplomáticas plenas com Cuba pelo governo do ex-presidente americano Barack Obama em 2015.
Após a vitória eleitoral de Trump em 2016, Castro Espín tentou manter contato com o novo governo, que não estava interessado em alimentar os laços com o regime cubano. Na época, ele fez uma videochamada para Craig Deare, que foi brevemente responsável pelos assuntos latino-americanos na Casa Branca. Castro Espín conversou por quase uma hora com o americano, relatando detalhes da cooperação entre os dois governos ao longo de várias administrações, o que surpreendeu Deare, que chegou a classificá-lo como “bastante pragmático”.
Em Cuba, uma importante comissão de inteligência chefiada por Castro Espín foi dissolvida, afirma o WSJ, e ele desapareceu da vida pública. Em 2024, ele reapareceu em uma marcha pró-Palestina, e agora volta a desempenhar um papel central nas negociações em curso com Washington.
Outro parente, o sobrinho-neto de Raúl Castro, Oscar Pérez-Oliva, subiu rapidamente na hierarquia política cubana e é visto como um potencial sucessor do presidente Miguel Díaz-Canel. Pérez-Oliva é vice-primeiro-ministro e ministro do Comércio Exterior e Investimento e foi eleito em dezembro para a Assembleia Nacional de Cuba, um pré-requisito para a presidência. Há apenas dois anos, o engenheiro eletricista de 55 anos ocupava um cargo de gerência intermediária no porto de Mariel.
Em março, Pérez-Oliva concedeu uma rara entrevista a uma rede de televisão americana para reforçar a ideia de que Cuba, voltada para os cubano-americanos, desejava receber investimentos deles e declarou que a ilha está “aberta para negócios”, afirmou. Assim como outros membros do clã Castro, ele possui fortes ligações com a GAESA, um conglomerado empresarial cubano controlado pelos militares, que detém os setores mais lucrativos da economia do país, incluindo hotéis de luxo, casas de câmbio e postos de gasolina. A empresa foi criada por Raúl Castro na década de 1990, quando ele era ministro da Defesa após o colapso da União Soviética.
Até sua morte em 2022, o general Luis Rodríguez López-Calleja, pai de Raúl Castro, dirigia a GAESA. Especialistas na política de Cuba acreditam que a empresa controla mais de 40% da economia cubana e afirmam que ela é “fruto de um pacto que Castro fez com os militares, trocando prosperidade por seu apoio”, ressaltou um deles ao WSJ.

