Mesmo com um volume recorde de recursos disponíveis em 2026, ano marcado por eleições, a execução das emendas parlamentares dos deputados estaduais do Acre ainda não saiu do papel. Um levantamento feito pelo ac24horas, nesta quinta-feira (9), com base em dados da Secretaria de Estado de Planejamento, mostra que já foram definidos destinos para R$ 118,42 milhões, distribuídos em 874 emendas, de um total aproximado de R$ 120 milhões disponíveis após a garantia legal de R$ 5 milhões por parlamentar. Apesar disso, praticamente todos os registros seguem com status de “valor disponível”, indicando que os recursos foram apenas indicados, sem execução efetiva até o momento.
A distribuição dos valores evidencia a preferência dos parlamentares por repasses a entidades privadas sem fins lucrativos, que concentram a maior fatia dos recursos: R$ 85.693.238,55. Em seguida aparecem as transferências especiais para municípios, que somam R$ 13.734.036,30, os convênios com prefeituras, com R$ 10.280.981,85, e as aplicações diretas pelo Estado, que totalizam R$ 8.446.461,10. O desenho revela uma forte capilaridade política das emendas, com recursos pulverizados entre associações, cooperativas, entidades sociais e administrações municipais em todo o estado.
Entre os parlamentares, alguns se destacam pelo volume de recursos já indicados. André Vale (Podemos) aparece com emendas de alto valor individual, incluindo repasses que ultrapassam R$ 800 mil para uma mesma entidade e diversos aportes na faixa de R$ 300 mil a R$ 490 mil, sobretudo voltados a organizações ligadas à produção e ao desenvolvimento comunitário. Arlenilson Cunha (PL) também figura entre os que mais movimentaram recursos, com dezenas de emendas distribuídas em diferentes áreas, variando de pequenos repasses a entidades esportivas até valores expressivos para instituições sociais e associações rurais. Emerson Jarude (Novo), por sua vez, direcionou recursos principalmente para instituições sociais, educacionais e de proteção animal, combinando emendas de maior porte, como uma de R$ 600 mil, com uma série de destinações menores pulverizadas entre escolas e organizações. Já Afonso Fernandes (União Brasil) apresenta um perfil diversificado de indicações, incluindo valores elevados para municípios e repasses a entidades religiosas, esportivas e assistenciais.
O retrato que emerge do levantamento é o de um orçamento já praticamente comprometido do ponto de vista político, mas ainda distante da execução prática. Em termos percentuais, quase 100% dos recursos disponíveis já têm destinação definida pelos deputados, enquanto a execução segue próxima de zero. Em um ano eleitoral, esse descompasso ganha relevância porque a liberação das emendas costuma gerar visibilidade política, ao viabilizar obras, serviços e ações diretamente nas bases eleitorais.

