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Medidas para turbinar Lula têm potencial limitado

Por Redação Juruá em Tempo.1 de abril de 20264 Minutos de Leitura
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O balanço feito por Lula na reunião ministerial “saideira” de boa parte do time titular dos ministérios evidenciou a preocupação com o ponteiro da popularidade, que, depois de mais de um ano na mudança na diretriz da comunicação do governo, voltou a indicar o tanque vazio.

Acontece que nem o problema de fundo do petista e de sua gestão reside na comunicação, nem as medidas pontuais anunciadas ou em gestação no Planalto parecem eficazes para mudar a pior notícia trazida pelas recentes pesquisas ao presidente: a maioria dos eleitores considera pior reelegê-lo do que trazer de volta ao comando do país alguém da família Bolsonaro. A determinação de Lula de passar a traçar comparações entre seu governo e o de Jair Bolsonaro visa a atacar justamente essa percepção, que, se persistir, põe em xeque a viabilidade de um quarto mandato.

Mas há enorme limitação na eficácia das comparações: justamente o fato de as avaliações serem muito mais de cunho ideológico que feitas em bases racionais a partir de indicadores e dados concretos. Foi essa divisão baseada em valores que deu a Lula uma vitória por pequena margem em 2022. Naquela ocasião, uma parcela do eleitorado que havia dado a vitória a Bolsonaro quatro anos antes votou contra sua gestão na pandemia, os ataques às instituições e ao sistema eleitoral, as investidas contra políticas culturais, a ciência, a proteção ambiental e as universidades, entre outras.

O que tem sido fatal para Lula é parcela desse eleitorado, que lhe deu uma chance mesmo depois de, provavelmente, ter decidido que não votaria mais no PT, ter se decepcionado com seu mandato e não se sentir contemplada. Não adianta chegar para esse eleitor depois de três anos e três meses de silêncio e mandar um “oi, sumido” na forma de subsídio a combustível, revogação da taxa das blusinhas ou uma nova temporada do Desenrola. Fica parecendo um “catadão” de fim de feira, e o eleitor percebe a intenção.

O que ajudou a melhorar o humor com Lula no ano passado foi menos o rebranding da comunicação e aquele papo de ricos contra pobres que a ação bem articulada de resposta ao tarifaço e aos desvarios de Donald Trump. Naquela oportunidade, com uma ação de Estado, em que discurso em defesa da soberania e medidas de mitigação de danos foram combinadas com uma bem-sucedida negociação diplomática, articulada com o empresariado, ele desarmou a bomba que a extrema direita havia jogado no colo do Brasil. Numa só tacada, Lula se mostrou superior ao bolsonarismo naquilo que concerne a um presidente da República, sem bravata nem necessidade de marketing ou a surrada narrativa.

Não durou muito, e ele começou a descer a ladeira quando os fatos começaram a lembrar ao eleitor justamente os gatilhos mais fortes para o antipetismo: os gastos públicos descontrolados, os ataques gratuitos aos conservadores (via carnaval) e, principalmente, uma pororoca de escândalos de corrupção que caiu no colo de Lula mesmo sem ser sua responsabilidade.

Fazer com que aquela pequena fração do eleitorado que decidirá a eleição volte a achar que o triunfo do bolsonarismo é mais deletério que a permanência de Lula pressupõe, sobretudo, mostrar o que pode ocorrer caso Flávio seja eleito.

Nos últimos dias, a família forneceu mostras fartas do que vem por aí: briga intestina entre filhos e Michelle, a promessa do pré-candidato de que o pai subirá a rampa com ele, a promessa de franquear o acesso às terras-raras brasileiras aos Estados Unidos a serviço de seu plano de hegemonia global e a guerra total contra o Judiciário. Tudo isso lembra a constante instabilidade do período entre 2019 e 2022, que o mercado parece ter apagado e reescrito.

Achar que está nas mãos de Sidônio Palmeira resolver um problema histórico e político — e que tornar a importação de blusinhas mais barata virará o jogo — é tentar apagar o fogo que devora as chances reeleitorais de Lula com uma canequinha.

Por: O Globo.
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