Viajar de avião saindo ou chegando ao Acre segue sendo um dos maiores desafios para moradores e empresários, principalmente pelo alto custo das passagens. Diante desse cenário, um projeto aprovado recentemente na Câmara dos Deputados reacende a expectativa de mudança no setor.
Na prática, a medida abre espaço para novas empresas atuarem na região, o que pode aumentar a oferta de voos e pressionar a queda nos preços, um dos principais gargalos enfrentados por quem precisa viajar no estado.
Como o projeto pode impactar o Acre
O Projeto de Lei nº 539/2024 autoriza empresas estrangeiras a operarem rotas internas na Amazônia, desde que cumpram as exigências da aviação brasileira. A expectativa é que a entrada de novos operadores reduza a concentração de mercado e aumente a competitividade.
Para o deputado Coronel Ulysses, um dos autores da proposta, o cenário atual é de limitação e preços elevados. “O Acre sofre com o isolamento e com passagens caras. Ao abrir o mercado, a concorrência tende a aumentar e os preços podem cair”, afirmou em entrevista ao portal A GAZETA.
Hoje, a baixa oferta de voos e o número restrito de companhias são apontados como fatores que mantêm os valores elevados, dificultando o acesso da população ao transporte aéreo.
Efeitos além das passagens
A possível redução nos preços pode impactar diretamente setores como turismo, comércio e serviços, além de facilitar deslocamentos por necessidade, como viagens para tratamento de saúde ou compromissos profissionais.
O texto também prevê melhorar a conexão entre municípios da Amazônia, ampliando o acesso a serviços essenciais e reduzindo o isolamento de regiões mais distantes.
Setor vê potencial, mas cobra execução
Para o empresário do setor turístico, Rizzo Araújo, a medida pode representar uma mudança importante, mas depende de aplicação prática.
“Pagamos caro demais para voar. Não é por falta de demanda, mas por falta de opção. Esse projeto pode trazer novas rotas e pressionar o mercado”, avaliou.
Ele também alerta que outras iniciativas, como incentivos fiscais, não tiveram impacto direto no preço das passagens até agora. “Não basta aprovar, é preciso garantir que isso funcione na prática”, afirmou.
O projeto foi aprovado em turno único na Câmara, com parecer favorável do relator e apoio das comissões, e agora segue para análise do Senado Federal.

