O Partido dos Trabalhadores (PT) formalizou na última quinta-feira, 16, uma mudança estrutural na grade de candidaturas para o pleito de 2026. A legenda apresentou um grupo de influenciadores digitais como pré-candidatos aos legislativos federal e estaduais. A movimentação sinaliza uma resposta à hegemonia da direita nas redes sociais e busca rejuvenescer as bancadas do partido no Congresso Nacional e Assembleias Legislativas.
A ofensiva petista ocorre no momento em que a pesquisa Genial/Quaest indicou, pela primeira vez, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno (42% contra 40%). Um dos fatores atribuídos ao crescimento do parlamentar de direita foi a forte expansão digital, tendo ampliado 38,1% dos seguidores em seus perfis nas redes sociais no último semestre, segundo informações divulgadas pela Agência Bites.
As ‘guerrilhas’ digitais
A nova estratégia petista visa combater o domínio de figuras como Nikolas Ferreira (PL-MG), que utiliza o engajamento digital como ferramenta de pressão institucional. Por meio de publicações cotidianas e eventuais vídeos explicativos longos, o parlamentar alcança uma base de milhões de seguidores e apoiadores. Os últimos ciclos eleitorais provaram que a força das redes sociais é decisiva como propaganda e fator de convencimento — disputa essencial entre os chamados “eleitores independentes”.
A avaliação dentro e fora do PT é que o partido ficou ancorado na imagem de Lula, que terá 80 anos em 2026, e precisa de “sangue novo” capaz de rivalizar com a direita no TikTok e Instagram. O atual presidente da legenda, Edinho Silva, já vinha alertando para a necessidade de profissionalizar essa frente sem perder o conteúdo programático.
“O partido é maior do que os indivíduos. Porque daqui a pouco nós vamos ter a política sendo tomada por pessoas que operam bem as redes sociais, mas que na hora que você pergunta o que será feito pela saúde, pela educação, esporte e cultura, essa pessoa não tem absolutamente nenhuma proposta”, disse Edinho à Jovem Pan em 2025, prenunciando a linha de precaução da sigla.
Diante deste risco — que contempla o surgimento de figuras autodenominadas “outsiders”, como o ex-coach Pablo Marçal (União Brasil) –, o PT agora tenta “institucionalizar” a classe de influencers. Diferente de candidaturas independentes, o projeto apresenta os nomes ligando-os diretamente à legenda e ao plano nacional de governo.

