A revista Time publicou hoje a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. A publicação incluiu o nome de Mariangela Hungria.
Quem é Mariangela Hungria
Mariangela Hungria da Cunha é pesquisadora da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Ela foi a vencedora do World Food Prize 2025. A premiação é considerada a mais importante da agricultura mundial e é conhecida como o “Nobel” da Alimentação e Agricultura.
Ela vive há mais de 30 anos em Londrina, no interior do Paraná, e dedicou a carreira a insumos biológicos para substituir fertilizantes químicos. Na Embrapa Soja, Hungria lidera pesquisas em fixação biológica do nitrogênio. A tecnologia, segundo a Embrapa, economiza ao Brasil até US$ 25 bilhões por ano em fertilizantes e reduz impactos ambientais.
O trabalho dela se concentra em selecionar microrganismos benéficos, como bactérias e fungos, e torná-los mais eficientes. Esses microrganismos são aplicados nas sementes ou no solo e funcionam como “fertilizantes naturais”, diminuindo a necessidade de produtos químicos.
Ela diz que começou a carreira achando que dificilmente seria reconhecida por estudar biológicos em uma área dominada por químicos. “Eu aqui, no interior do Paraná, sempre lutando, num país onde o financiamento para pesquisa é muito irregular, e tendo dedicado uma carreira aos insumos biológicos, numa época que era só de químicos”, afirmou, em entrevista ao Estadão.
Por que o trabalho dela virou referência
Hungria conta que decidiu ser microbiologista aos oito anos e escolheu atuar fora da área da saúde. “Eu queria trabalhar com agricultura ou com meio ambiente, produzir alimentos, porque eu lembro que eu ficava muito triste quando eu via uma pessoa na rua passando fome”, disse.
Ela se formou em Engenharia Agronômica na USP e fez mestrado e doutorado com teses em fixação biológica do nitrogênio. Hungria entrou na Embrapa em 1982.
O Brasil tem a maior taxa de inoculação do mundo na produção de soja, com 85% da cultura usando insumo biológico. A pesquisadora afirma que, quando começou, havia a ideia de que biológicos serviam apenas para hortas e agricultura comunitária, não para a produção em larga escala.
Ela afirma que a substituição de fertilizantes químicos por biológicos ajuda a reduzir custos e poluição na agricultura. “Alguns insumos biológicos conseguem substituir totalmente ou parcialmente esses fertilizantes químicos”, explicou.
Hungria diz que reduzir o uso de fertilizantes químicos também tem impacto na emissão de gases de efeito estufa. “Só com a soja, na última safra, foram 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente que a gente deixou de emitir porque usou os biológicos e não os químicos”, afirmou ao Estadão.
Suas inovações científicas, utilizadas em todo o mundo, ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano e a evitar a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente. Revista Time
Segurança alimentar e legado
Na Academia Brasileira de Ciências, Hungria coordena um grupo de trabalho sobre segurança alimentar e nutricional. Ela afirma que produzir alimentos é importante, mas não basta para enfrentar a fome e defende um esforço interdisciplinar.
A pesquisadora diz que gostaria de deixar como legado uma homenagem às mulheres na agricultura. “As mulheres que, em grande parte, fazem agricultura, passam as ervas medicinais de avó pra mãe pra filha. Elas cuidam das hortas comunitárias”, afirmou.

