O Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) decidiu afastar John Textor do comando da SAF do Botafogo. A deliberação, que não é judicial e não permite recurso imediato, decorre de uma notificação feita pela Eagle Bidco à Câmara de Arbitragem. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.
A decisão proíbe a realização da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) do clube, prevista para o dia 27, que deliberaria sobre os rumos da SAF. A decisão do tribunal pode ser revista no dia 29, após manifestação da empresa.
O que aconteceu
- O Tribunal Arbitral da FGV afasta John Textor do comando da SAF do Botafogo.
- A decisão impede a realização de assembleia do clube e é temporária, podendo ser revista em poucos dias.
- A remoção se dá por notificação da Eagle Bidco, que já havia tentado retirar Textor do controle.
A Eagle Bidco é a entidade que detém as participações em clubes como Botafogo e Lyon, e está subordinada à Eagle Football Holdings. Embora John Textor tenha poder sobre a Eagle Holdings, ele não possui agência direta sobre a subsidiária Eagle Bidco.
Quem controla a Eagle Bidco é a Cork Gully, empresa de consultoria em reestruturação financeira e operacional, responsável por anunciar a venda da SAF no Financial Times. A Cork Gully foi selecionada em um processo na Inglaterra pelo fundo Ares, credor da Eagle Bidco.
Este processo de Arbitragem, por não ser judicial, não oferece recurso direto ao empresário. Como resultado, a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que estava programada para o dia 27, e que discutiria o futuro da SAF, foi impedida de ocorrer. Há expectativa de que a decisão seja revista no dia 29, após uma nova manifestação da empresa.
A notificação da Eagle Bidco, que possui 90% da SAF do Botafogo, já havia sido formalizada anteriormente e foi reiterada no último sábado, dia 18. O clube social, detentor dos 10% restantes, manifestou concordância com o movimento.
Após a notificação, a SAF do Botafogo ingressou com um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A Justiça fluminense concedeu uma liminar favorável à solicitação, buscando proteger as finanças do clube neste momento.
Qual a origem do conflito?
John Textor já havia enfrentado tentativas de afastamento da SAF. Em janeiro, ele foi retirado do controle da Eagle Bidco. Em uma manobra para tentar retomar o comando, Textor chegou a demitir dois diretores independentes da Bidco, mas essa ação foi revertida, mostrando a complexidade da estrutura de governança.
O próprio clube social do Botafogo acionou a Justiça do Rio de Janeiro buscando reduzir os poderes de Textor sobre a SAF. Em outubro de 2023, o TJ-RJ determinou que a governança da SAF do Botafogo não poderia ser alterada até a conclusão da arbitragem conduzida pela FGV, evidenciando a disputa de poder em torno da gestão.
A Câmara de Arbitragem da FGV é um órgão independente, com regimento próprio, privado e confidencial, utilizado para a resolução de conflitos. No Brasil, a legislação permite esse serviço desde 1996, e suas decisões possuem o mesmo poder de uma sentença judicial, conferindo legitimidade ao afastamento.
Impacto na gestão e finanças
Textor tornou-se acionista majoritário da SAF em 2022, assumindo o passivo histórico do clube e prometendo um investimento de cerca de R$ 400 milhões no futebol. Sob sua gestão, o Botafogo modernizou a infraestrutura do Centro de Treinamento (CT) e do Estádio Nilton Santos, além de fortalecer o departamento de análise de mercado. Em campo, o clube conquistou o Campeonato Brasileiro e a Libertadores em 2024.
Para o economista Cesar Grafietti, especialista em finanças do futebol, a atual crise do Botafogo está diretamente ligada à forma como a SAF foi estruturada. “A estruturação do Botafogo SAF está toda equivocada desde o princípio. O modelo foi baseado em contratações de revelações para negociações rápidas e gastos elevados em formação de elenco para disputar títulos e valorizar os jogadores”, afirmou Grafietti ao Estadão, criticando a estratégia adotada.
Com informações do Estadão Conteúdo

