61% dos brasileiros veem queda do Bitcoin como oportunidade de compra, diz pesquisa
A maioria dos investidores brasileiros vê a queda de preço do Bitcoin (BTC) como uma janela de oportunidade. É o que mostra pesquisa feita pelo Mercado Bitcoin em parceria com a Opinion Box, divulgada nesta quarta-feira (13).
O Bitcoin acumula queda de cerca de 18% em reais no ano. Segundo o levantamento, 79% dos investidores de criptomoedas encaram o momento atual de baixa como uma chance para investir na criptomoeda. Entre o público geral de investidores, esse índice ainda é majoritário, chegando a 61%.
“O investidor cripto já entende o comportamento do mercado. Ele sabe que a baixa pode ser o melhor momento para entrar ou aumentar a posição”, afirma Giresse Contini, diretor de marketing, growth e canais digitais do Mercado Bitcoin.
Esse comportamento se reflete também na disciplina de aportes: 68% dos investidores cripto têm o hábito de realizar investimentos regulares – semanais, quinzenais ou mensais – independentemente das oscilações do mercado. O índice é superior ao do público geral de investidores – a regularidade cai para 56%.
O dado conversa com outro achado da pesquisa: 8 em cada 10 brasileiros que investiram em cripto dizem não se arrepender da decisão. O arrependimento relatado por 44% é diferente, por não ter entrado antes no mercado cripto.
Quem investe em cripto no Brasil?
A pesquisa também traça o perfil de quem já aderiu aos ativos digitais no país. O mercado cripto já conquistou 16% dos investidores brasileiros em geral. Outros 70% ainda não possuem criptomoedas na carteira, mas já conhecem o mercado. Apenas 14% dos 1.009 entrevistados nunca ouviram falar do tema.
Quando o recorte é por faixa etária, a geração mais jovem lidera o interesse: mais da metade (52%) dos investidores entre 18 e 29 anos que ainda não investiram em cripto afirmam ter intenção de fazê-lo no futuro. Nas faixas de 30 a 49 anos e acima dos 50, esse interesse se mantém relevante, com 44% e 41%, respectivamente.
Os dados do próprio Mercado Bitcoin reforçam a tendência: 12% dos novos clientes da plataforma têm menos de 18 anos, e 23% têm até 28 anos – ou seja, um terço da base de novos clientes é composta por pessoas com menos de 30 anos.
“A geração Z já enxerga cripto como parte natural da jornada de investimento. Isso é uma mudança de comportamento que vai moldar o mercado pelos próximos anos”, destaca Felipe Schepers, COO da Opinion Box.
Outro achado do levantamento é que quem investe em cripto tende a ter um perfil mais avançado financeiramente. Comparados ao investidor geral, eles têm quase o dobro de participação em fundos de investimento, ações e fundos imobiliários.
“Esse investidor já venceu a barreira da oscilação. Ele entende risco e busca rentabilidade de verdade”, explica Contini.
Ainda assim, a pesquisa revela uma aparente contradição: 46% dos investidores de cripto ainda mantêm dinheiro na poupança, produto com uma das menores rentabilidades do mercado e amplamente rejeitado por especialistas em investimentos.
As barreiras de entrada
Para quem ainda não deu o primeiro passo no mercado cripto, os principais obstáculos identificados pela pesquisa são linguagem, complexidade e medo.
62% dos entrevistados concordam que é muito difícil entender os termos técnicos do universo cripto, como blockchain, halving, altcoin e mineração. Outros 76% acreditam que é preciso muito conhecimento para investir em produtos de alta volatilidade. 48% de quem nunca investiu em cripto declara ter medo do produto. Entre os que já investiram, esse índice cai para 19%.
“Para muitos, investir em cripto parece aprender um novo idioma. Não existe adoção em escala sem traduzir essa linguagem para o mundo real”, afirma Schepers.
Entre os interessados em começar a investir, o Bitcoin segue como a criptomoeda mais desejada (56%), seguido de Ethereum (21%).
Na hora de escolher onde investir, o principal atributo de uma plataforma de investimentos é ser regulamentada, segundo 55% dos entrevistados. Na sequência, aparecem mecanismos de segurança (48%) e sites e aplicativos com linguagem simples e clara (45%).
“Segurança e regulação vão acabar dando mais tranquilidade para aqueles brasileiros que ainda não experimentaram o mercado cripto. É um passo que esperávamos há muito tempo”, diz Contini sobre o avanço da regulação do setor no Brasil.