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Acreana baleada após recusar relacionamento apela por prótese ocular

Por Redação Jurua em Tempo23 de maio de 20263 Minutos de Leitura
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Maria Gerliane da Medeiros da Paixão perdeu a visão de um olho após ser atingida por um disparo de espingarda efetuado por um vizinho que havia sido rejeitado por ela. O crime aconteceu na zona rural de Tarauacá, na região do Igarapé Sacado, interior do Acre. Anos depois da tragédia, ela finalmente se aproxima de uma nova etapa: a Secretaria Municipal de Saúde de Tarauacá iniciou os encaminhamentos para que ela receba uma prótese ocular pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em entrevista ao jornalista Raimundo Accioly, do Blog do Accioly, Gerliane relembrou os fatos que antecederam o ataque. Segundo ela, o agressor era um vizinho comum, sem qualquer histórico de conflitos com a família. Dias antes do disparo, ele teria enviado um bilhete perguntando se ela toparia manter um relacionamento amoroso. A resposta foi não.

No dia do ataque, Gerliane já havia saído da propriedade do vizinho quando ele entrou em casa, pegou uma espingarda e atirou em direção ao seu rosto. Ela estava do outro lado da cerca quando foi atingida. “Eu já estava do outro lado da cerca quando ele pegou e atirou em mim”, relatou.

O disparo atingiu seu rosto e resultou na perda total da visão de um dos olhos. O caso se enquadra no padrão de violência de gênero — também conhecida como feminicídio tentado —, em que a recusa de uma mulher a um relacionamento é respondida com agressão física grave.

Gerliane revela que o episódio do disparo não foi o primeiro sinal de perigo. Antes do crime, ela já havia sido intimidada pelo mesmo homem, que costumava aparecer montado a cavalo nas estradas da comunidade com o intuito de assustá-la. Os sinais de comportamento ameaçador, no entanto, não foram suficientes para evitar a tragédia.

Desde o crime, Gerliane convive não apenas com a perda física da visão, mas também com feridas emocionais profundas. A vergonha diante do próprio rosto, a insegurança nos ambientes sociais e o medo constante do julgamento alheio fizeram com que ela colocasse sonhos em segundo plano e se afastasse de uma vida plena.

A ausência da prótese ocular — um dispositivo que substitui visualmente o olho perdido e tem impacto direto na autoestima e na reintegração social da pessoa — agravou esse isolamento ao longo dos anos.

O caminho para a prótese

A situação começou a mudar com a mobilização de pessoas dispostas a ajudar. Com o apoio da vereadora Janaína Furtado e do secretário municipal de Saúde, Romário Costa, Gerliane passou a ser acompanhada pela Secretaria de Saúde de Tarauacá, que deu início aos encaminhamentos necessários para a realização do procedimento pelo SUS.

A prótese ocular, nesse contexto, representa muito mais do que uma questão estética. Para Gerliane, é o símbolo de uma retomada: a chance de recuperar a autoestima, a confiança e a liberdade de viver sem que a violência sofrida continue sendo o centro da própria história.

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