Reunidos na sede da Federação da Agricultura e Pecuária, produtores, gestores públicos, representantes de empresas de consultoria e representantes debateram sobre as perspectivas da cadeia produtiva da pecuária de corte no Acre. Durante a exposição do pesquisador da Embrapa Judson Valentim, a constatação de que, no Acre, a atividade pecuária é, essencialmente, uma atividade de base familiar.
De acordo com Valentim, 94% dos produtores acreanos são pequenos e médios produtores, cujas propriedades têm entre 1 e 500 cabeças de gado. Isso representa 54% do rebanho total do Acre, contabilizado em 5,1 milhões de animais.

Os outros 46% do rebanho estão em pouco mais de 6% das propriedades. “Estratégias de modernização e mitigação ambiental devem focar no acesso à assistência técnica para estes 94%”, sugere o material apresentado por Valentim.
Outro dado importante que mostra a força desse perfil social da pecuária acreana foi dado pelo professor de Economia da Ufac Rubicleis Gomes da Silva. Ele organizou e cruzou informações que chegaram à seguinte situação: os setores frigoríficos e de criação de bovinos para corte respondem por 8,2% da oferta total da economia acreana, contabilizada em R$ 34 bilhões por ano englobando 50 setores da economia.
“Se a pecuária de corte bovina do Acre fosse tão inovadora quanto a cadeia dos suínos, nós teríamos valor agregado muito maior”, afirmou o professor da Ufac. “Nos suínos, nós temos uma série de subprodutos, o que não se vê na pecuária bovina”. A necessidade de inovação como um instrumento de agregação de valor é um dos elementos que precisam ser priorizados na cadeia produtiva da pecuária bovina de corte, segundo Rubicleis Gomes da Silva.

Uma mesa redonda composta pelo secretário Adjunto de Estado de Agricultura, Edvan Azevedo; pelo leiloeiro e produtor rural Marcelo Lemos e pelos produtores Luís Augusto do Vale e Edilson Araújo pontuou os principais gargalos do setor.
A questão ambiental foi um dos destaques. Apesar do esforço de não politizar o tema, o presidente da Faeac, Assuero Veronez, não se conteve. “Podemos nos preparar que a situação ficará pior porque o processo de execução do Novo Código Florestal está apenas no começo”, constatou. “E isso só vai mudar se mudar o governo que está aí”, politizar, referindo-se ao Governo Federal.

