Os dados do Atlas da Violência 2026 colocam o Acre entre os estados brasileiros com índice de homicídios ligeiramente superior à média nacional. Conforme o levantamento divulgado nesta terça-feira, 26, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o estado registrou 20,2 assassinatos por 100 mil habitantes em 2024, enquanto a média do país ficou em 20,1.
O estudo revela que o Brasil alcançou o menor número de homicídios dos últimos 11 anos. Foram contabilizadas oficialmente 42.590 mortes violentas em 2024, resultado que representa redução de 7,4% na comparação com o ano anterior.
Mesmo com a tendência de queda observada nacionalmente, o Acre segue acima de estados considerados menos violentos, como São Paulo, que teve taxa de 6,6 homicídios por 100 mil habitantes, Santa Catarina, com 8,1, e o Distrito Federal, com 10,3. Em contrapartida, o índice acreano ficou abaixo dos registrados em outros estados da Região Norte, como Amazonas (32,2), Rondônia (30,3) e Pará (27,4).
No ranking nacional, o Amapá aparece como o estado mais violento do país, com taxa de 45,7 homicídios por 100 mil habitantes. Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará também figuram entre os estados com maiores índices de violência letal.
De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo Atlas, a redução dos homicídios no Brasil está ligada, entre outros fatores, à diminuição dos confrontos entre facções criminosas nos últimos anos. O estudo destaca que a disputa por rotas do narcotráfico provocou forte escalada da violência principalmente entre 2016 e 2017, atingindo estados do Norte e Nordeste.
Outro ponto levantado pelo relatório é a possibilidade de subnotificação das mortes violentas. Isso ocorre devido ao crescimento dos registros classificados como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), quando não é possível definir oficialmente se o óbito foi causado por homicídio, acidente ou suicídio.
Considerando essas ocorrências, os pesquisadores estimam que o Brasil pode ter registrado quase 50 mil homicídios em 2024. Nesse cenário ampliado, a taxa nacional subiria para 23,4 mortes por 100 mil habitantes, reduzindo o impacto da queda observada nos números oficiais.

