“Cena era aterrorizante”, diz socorrista do Samu que atendeu ocorrência de ataque em escola de Rio Branco
O cenário encontrado pelas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no Instituto São José, em Rio Branco, após o ataque a tiros desta terça-feira, 5, foi descrito como crítico por um dos socorristas que atuaram na ocorrência.
Presente no velório de uma das vítimas, na Capela São João Batista, o socorrista Everaldo Azevedo relembrou os momentos vividos durante o atendimento e prestou homenagem à funcionária Raquel Sales Feitosa, de 36 anos, morta no local.
“A gente foi acionado. Saíram duas equipes avançadas e dois suportes básicos. Quando falaram que era ferimento por arma de fogo no colégio, a gente já sabia da proporção da situação, ainda mais sendo horário de aula”, afirmou.
Atendimento em meio ao risco
Segundo ele, ao chegar à escola, as equipes foram informadas de que havia várias vítimas, inclusive no segundo andar do prédio.
“Disseram pra nós que tinha várias pessoas feridas e que algumas estavam no segundo andar do prédio. Quando a gente estava adentrando, a polícia disse que o atirador ainda estava no local. Mesmo assim, a polícia deu apoio e a equipe do Samu subiu”, relatou.
O socorrista descreveu o ambiente encontrado como extremo. “Infelizmente, quando nós chegamos lá, a cena era aterrorizante. A gente acredita que houve luta corporal para evitar um dano maior”, disse.
Limite do atendimento
Everaldo também falou sobre a frustração de não conseguir reverter o quadro de uma das vítimas.
“Quando a gente chegou, não pudemos fazer nada. Essa é a maior dor do socorrista, não poder fazer naquele momento, porque ela já estava em óbito”, declarou.
A presença da equipe no velório foi, segundo ele, uma forma de reconhecimento à vítima. “Nós nos reunimos e viemos fazer esse gesto, pela bravura dela, pela dedicação como profissional”, afirmou.
O socorrista também destacou o impacto emocional da ocorrência nos profissionais de saúde. “As pessoas veem essa farda e acham que somos de ferro, mas não somos. Nós temos sentimentos, sentimos dores”, disse.
Apelo por segurança
Everaldo fez um apelo para que haja reforço na segurança nas escolas. “Que as autoridades pensem, repensem e reforcem a segurança nos colégios. Existe uma preocupação com novas ameaças, e a gente espera que isso não aconteça”, afirmou.
Ao final, ele prestou solidariedade à família da vítima. “Estamos aqui em solidariedade à família. Espero que Deus conforte essa dor. Foi um dia muito difícil, mas fizemos o que estava ao nosso alcance”, concluiu.