O ex-governador Cláudio Castro abandonou a disputa ao Senado pelo PL do Rio após duas operações de busca e apreensão em maio, mas garantiu com a legenda um salário bruto de R$ 38 mil (R$ 27,8 mil líquidos). O acordo foi feito com Valdemar Costa Neto, presidente da sigla que desde março aceitou repassar o mesmo valor para o vereador licenciado Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato ao Senado em Santa Catarina. O dinheiro para a remuneração vem do Fundo Partidário —bancado pelo orçamento da União — e que deu ao PL o direito de movimentar R$ 192 milhões no ano passado.
A devassa na vida patrimonial de Castro pela Polícia Federal (PF) está se debruçando em cinco celulares recolhidos no espaço de 11 dias em dois endereços distintos. No dia 15, quando chegou no condomínio Península, na Barra da Tijuca, a ordem de busca e apreensão dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na investigação sobre a Refit, do empresário Ricardo Magro, só tinha como alvo o endereço no 12º andar de um prédio.
Foi graças a um porteiro que a PF soube que Castro estava morando, na verdade, em uma cobertura no mesmo edifício no nome da J3 Real Estate, do ex-secretário estadual de Transformação Digital, o advogado Mauro Farias. Neste dia, foram apreendidos um iPad, um computador e três celulares — um com cerca de 2 mil contatos de Castro, outro usado pelo ex-governador para jogos eletrônicos e um terceiro antigo, mas já dos tempos em que passou a comandar o estado.
No último dia 26, nas buscas autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF, na investigação sobre o Banco Master, a PF encontrou mais dois celulares na cobertura — um adquirido recentemente, e outro do período em que ocupou o posto de vice-governador do ex-juiz Wilson Witzel.
Um endereço de Castro ainda não visitado pela PF está em uma sala comercial na Rua da Assembleia, no Centro do Rio. O local acaba de ser colocado como sede da Cláudio Castro Sociedade Individual de Advocacia, um CNPJ que o ex-governador pretende usar para atuar em causas cíveis agora que deixou a política. Até o momento, nenhuma nota fiscal de serviço prestado foi emitida pelo escritório.
Embora apareça nas investigações da PF participando de degustações de uísque milionárias e voando em jatinhos privados, a defesa de Castro vai focar em apresentar quatro despesas principais do ex-governador e sua esposa, a publicitária Analine Castro: R$ 10 mil de aluguel na cobertura do seu ex-secretário; R$ 5 mil do condomínio Península; R$ 6 mil pela sala comercial no Centro do Rio para advogar; e R$ 7 mil da mensalidade escolar de dois filhos em um colégio na Barra da Tijuca.
Castro fez outros dois movimentos recentes para se capitalizar. Vendeu o apartamento no Itanhangá que aparecia na sua declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022 por R$ 150 mil. E trabalhou para o governo do estado reconhecer que tinha direito a receber R$ 142 mil por férias não tiradas durante o período em que comandou o governo (2020-2026).
Neste momento, o ex-governador ainda não entregou as chaves do imóvel no 12º andar, mas já praticamente concluiu a mudança para a cobertura do seu ex-secretário. Comprado em abril de 2023 por R$ 3,5 milhões por uma empresa que o ex-secretário abriu dois meses antes, o imóvel ficou esse período sem ser ocupado. No último ano, passou por uma reforma que chamou a atenção de vizinhos, só concluída semanas antes de Castro passar a ocupá-lo.

