Militares brasileiros têm enfrentado trocas de tiros semanais com integrantes dos Grupos Armados Organizados Residuais (Gaor), dissidências das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na região de fronteira entre Brasil e Colômbia. A informação foi divulgada pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Júnior, durante seminário em Brasília, segundo o Estadão.
De acordo com o general, soldados da 2ª e da 16ª Brigadas de Infantaria de Selva atuam em confrontos frequentes com os grupos armados, que utilizam a Amazônia para o escoamento de drogas por rotas fluviais.
A declaração indica uma mudança no foco das operações do Comando Militar da Amazônia (CMA). Se antes a principal preocupação era a tensão entre Venezuela e Guiana na região de Essequibo, agora a prioridade passa a ser o combate ao narcotráfico e aos grupos armados transnacionais que atuam nas rotas do Solimões e da chamada Rota Caipira.
Os Gaor surgiram após o acordo de paz firmado entre o governo colombiano e as Farc, em 2016. Segundo o InSight Crime, as dissidências permaneceram armadas e passaram a atuar em atividades como tráfico de drogas, mineração ilegal e extorsão. A Human Rights Watch também aponta o fortalecimento desses grupos nos últimos anos, impulsionado pelas economias ilegais.
Segundo o Estadão, o general afirmou que tenentes e sargentos brasileiros estão “combatendo toda semana” esses grupos na faixa de fronteira. Ele também informou que o Exército avalia a aquisição de novos equipamentos, como drones, embarcações rápidas, sistemas de comunicação e sensores, para reforçar as operações na região.
Em 2025, as ações do Exército na faixa de fronteira causaram prejuízo superior a R$ 600 milhões ao crime organizado, de acordo com dados da Força Terrestre divulgados e repercutidos em 2026. As operações incluem apreensão de drogas, destruição de estruturas ilegais e patrulhamento em áreas remotas da Amazônia.

