Cruzeiro Hondius: passageiros testam positivo para hantavírus
Nesta segunda-feira, 11, autoridades de saúde confirmaram que dois passageiros, um americano e uma francesa, que foram retirados do cruzeiro Hondius, testaram positivo para hantavírus. A notícia surge enquanto a operação de repatriação se encerra na ilha espanhola de Tenerife, com o navio se preparando para reabastecer e seguir viagem rumo aos Países Baixos. Este é mais um desdobramento do surto que já resultou na morte de três ocupantes a bordo.
O que aconteceu
- Casos de hantavírus foram confirmados em um passageiro americano e uma francesa retirados do cruzeiro Hondius.
- A Espanha coordenou a repatriação de 94 dos cerca de 150 passageiros e tripulantes em Tenerife.
- Três ocupantes do navio já haviam falecido devido ao vírus antes das repatriações.
Dois dos 94 ocupantes do navio que desembarcaram no domingo e foram repatriados a seus países, um americano e uma francesa, testaram positivo para hantavírus, um vírus pouco frequente que normalmente se propaga entre roedores e para o qual não existe vacina. Um passageiro americano “testou levemente positivo no exame PCR”, conforme anunciado pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos.
Dos cinco franceses repatriados e colocados em isolamento em Paris, uma mulher apresentou um agravamento do seu estado de saúde, e os “testes apresentaram resultado positivo”, informou a ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist. Após o anúncio dos casos positivos, o Ministério da Saúde da Espanha afirmou ter adotado “todas as medidas” necessárias para “cortar as possíveis cadeias de transmissão” do hantavírus.
Mortes anteriores e reabastecimento do Hondius
A confirmação desses novos casos eleva a preocupação em torno do cruzeiro Hondius, já que três passageiros a bordo — um casal holandês e uma mulher alemã — morreram previamente devido ao hantavírus. No domingo, 94 dos cerca de 150 passageiros e tripulantes do navio foram repatriados a partir do porto de Granadilla em Tenerife, nas Ilhas Canárias.
Nesta segunda-feira (11), a agenda inclui o reabastecimento do navio e a repatriação dos últimos ocupantes em dois voos, um destinado à Austrália e outro aos Países Baixos. “Ao longo da manhã (…) o reabastecimento poderá começar, o que vai durar entre quatro e cinco horas. Em seguida, será carregado com suprimentos”, detalhou à televisão pública TVE Virginia Barcones, secretária-geral de Proteção Civil.
O objetivo é que, “quando realizarmos os dois últimos desembarques (…) possamos já autorizar a saída deste navio com destino aos Países Baixos” por volta das 19h (15h de Brasília), acrescentou Barcones. “Oxalá possamos terminar até mesmo antes do horário previsto”, afirmou o ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres, à rádio RNE, elogiando o dispositivo de repatriação da Espanha.
Como ocorrem as repatriações?
As repatriações acontecem de avião a partir do aeroporto de Tenerife Sul e por nacionalidades, somando 23 ao todo, com rigorosas medidas de segurança para reduzir ao mínimo o contato dos ocupantes do Hondius com outras pessoas. No domingo, partiram voos para Madri — para transportar os espanhóis que iniciaram a quarentena em um hospital militar —, França, Países Baixos — que levou um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco, os dois latino-americanos do navio —, Canadá, Irlanda, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
Às 19h locais (15h de Brasília) foi o horário limite estabelecido para que o Hondius deixasse o porto de Granadilla de Abona com destino aos Países Baixos, levando cerca de 30 tripulantes. O argentino repatriado Carlo Ferello minimizou a gravidade da situação vivida a bordo. O ambiente não era “preocupante, na verdade”, afirmou ao canal TN, destacando que, após os primeiros contágios, “não apareceram mais casos”.
“Eu estava sozinho (…), não tinha muito contato. A vida seguiu de maneira bastante normal”, acrescentou esse engenheiro aposentado, que cumprirá quarentena nos Países Baixos.
Risco de contágio é baixo, segundo a OMS?
O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, presente em Tenerife, destacou a cooperação entre os países e reiterou que “o risco atual para a saúde pública continua sendo baixo”. Segundo as autoridades sanitárias, os passageiros permanecem majoritariamente assintomáticos, embora tenham sido classificados como “contatos de alto risco” e devam cumprir quarentena ao chegarem ao destino.
Com exceção dos americanos, que não serão necessariamente colocados em quarentena, uma decisão que envolve riscos, avaliou o diretor-geral da OMS. “Isso não é covid”, justificou Jay Bhattacharya, diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, pedindo à população que mantenha a calma.
O Hondius, que havia partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, permanece ancorado sem atracar, a pedido das autoridades regionais das Ilhas Canárias, que manifestaram rejeição à operação por motivos de segurança sanitária. No entanto, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a operação, destacando que a Espanha “responderá com exemplaridade e eficácia” em uma crise que volta a colocar o país sob atenção internacional.
*Com informações da AFP