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Endocrinologista do Acre faz alerta sobre anabolizantes e critica fisiculturismo: “Não é esporte”

Por Redação Juruá em Tempo.26 de maio de 20263 Minutos de Leitura
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Em interação com os seus seguidores, nesta terça-feira, 26, através de uma “caixinha de perguntas”, a endocrinologista acreana Ana Carolina Fonseca manifestou um posicionamento firme e polémico sobre o uso de esteroides anabolizantes e a natureza do fisiculturismo. Ana Carolina declarou abertamente que não considera a modalidade um esporte e direcionou duras críticas a profissionais de saúde que dão suporte a essas práticas.

O pronunciamento da especialista, que é titulada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ocorre num momento de forte comoção nacional após a morte repentina do fisiculturista paulista Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, vítima de uma cardiomiopatia hipertrófica (espessamento do músculo do coração).

Ao ser questionada por um seguidor se via o fisiculturismo como um esporte, a Dra. Ana Carolina foi categórica:

“De forma alguma. Um ‘esporte’ que incentiva o uso de esteroides para a chegada ao pódio não é esporte.”

A endocrinologista foi além e questionou a ética dos profissionais que atuam na preparação e no chamado “Dr. de Elite” ou “protocolos de performance” para atletas e praticantes de musculação:

“Da mesma forma que há médicos, nutricionistas e educadores físicos que incentivam essa prática, considero-os não profissionais da saúde!”, disparou.

Em outra publicação na mesma sequência de stories, a médica rebateu o argumento comum de utilizadores que defendem o uso de hormônios sob o pretexto de estarem a fazer um acompanhamento preventivo e controlado. Para a especialista, a medicina não deve ser utilizada para viabilizar abusos estéticos:

“Um paciente que procura um médico para usar esteroides com a desculpa de ‘acompanhamento médico’ não procura segurança. Procura um cúmplice!”

O estopim: A morte precoce de Gabriel Ganley

O debate sobre os limites do fisiculturismo voltou a ganhar os holofotes após a trágica morte de Gabriel Ganley. O jovem atleta foi encontrado sem vida dentro da sua residência, em São Paulo, no último sábado, 23, após familiares e amigos relatarem dificuldades em contactá-lo por alguns dias. Antes do velório, o atestado de óbito revelou que a causa da morte foi cardiomiopatia hipertrófica.

A ciência médica aponta que o uso crônico dessas substâncias sem indicação clínica gera impactos severos em múltiplos sistemas do organismo. No sistema cardiovascular, o abuso de esteroides provoca a hipertrofia do ventrículo esquerdo — o espessamento do coração —, além de hipertensão arterial e um risco significativamente elevado de morte súbita. O sistema hepático também sofre danos graves, incluindo a sobrecarga do fígado, risco de peliose hepática e o desenvolvimento de tumores. Além do dano físico, a saúde mental é diretamente afetada por oscilações severas de humor, episódios de agressividade e quadros depressivos. Por fim, o sistema endócrino é desregulado pelo bloqueio do eixo hormonal natural do próprio corpo, o que pode resultar em infertilidade e atrofia testicular.

O posicionamento de Ana Carolina Fonseca, pautado na “saúde hormonal com ciência”, ecoa as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM), que proíbe a prescrição de esteroides anabolizantes para fins exclusivamente estéticos e de ganho de massa muscular, reforçando o coro de especialistas que alertam para a romantização e os riscos fatais do culto ao corpo extremo.

Por: Maria Meirelles.
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