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Executivo chileno é detido por racismo em voo no Brasil: ‘cheiro de negro, de brasileiro’

Por Redação Juruá em Tempo.18 de maio de 20265 Minutos de Leitura
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Um executivo chileno foi detido nesta sexta-feira (dia 15) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após fazer comentários racistas e homofóbicos dentro de um avião contra membros da tripulação e passageiros. Em uma das ofensas, ele ofende um comissário dizendo que tem “cheiro de negro brasileiro” e afirma que ser gay “é um problema”.

O episódio ocorreu em 10 de maio, no voo LA8070 da Latam Airlines, que seguia de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha. Ele foi detido quase uma semana depois, no retorno de sua viagem ao exterior, após participar de uma feira internacional a trabalho.

Germán Naranjo Maldini atuava como gerente da Landes, uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha. Na noite de sexta-feira, a Landes afastou “formal e preventivamente” o executivo de suas funções, de acordo com a imprensa chilena.

No primeiro trimestre de 2026, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) registrou alta de 19% dos casos de indisciplina em voos domésticos, na comparação com os primeiros três meses do ano passado.

Novas regras que começam a vigorar em setembro preveem multa de até R$ 17,5 mil a passageiros aéreos indisciplinados e até mesmo o banimento dos aeroportos por 12 meses, conforme a gravidade da ocorrência.

A agressão do empresário chileno no voo que seguia para Frankfurt começou quando ele tentou abrir a porta do avião e foi impedido pela tripulação.

Uma pessoa que estava a bordo gravou um vídeo do comportamento de Maldini que viralizou nas últimas horas, no qual podem ser ouvidos os comentários ofensivos e discriminatórios dirigidos a um integrante da tripulação.

Ofensas diversas

— Ele é gay contra mim — disse inicialmente.

— Qual é o problema?— perguntou uma comissária.

E o chileno, que insistia em afirmar que tinha um problema com o funcionário da companhia aérea, respondeu:

— Ninguém tem problema algum, ele tem um problema comigo. Os gays já basta serem tão… tão… — disse sem conseguir completar a frase,

Depois complementou:

— É um problema, para mim, ser gay.

A agressão continuou diante da indignação do restante da tripulação, desta vez com comentários racistas:

— A pele negra. O que mais… o cheiro de negro brasileiro. Cheiro de brasileiro.

Uma das comissárias a bordo afirmou ao viajante: “Vamos desembarcar, porque você está incomodando, agredindo”. Mas ele respondeu de forma desafiadora:

— Uh, que medo — disse, depois olhando para outra pessoa: — Esse aí eu não conheço. Você, negro, macaco, eu não conheço. Macacos ficam nas árvores — provocou para, em seguida, fazer sons semelhantes aos de um macaco.

Segundo o jornal argentino La Nación, a vítima registrou denúncia junto à Polícia Federal, o que deu início a uma investigação que terminou com uma ordem de prisão preventiva contra Maldini emitida pela Justiça Federal.

Procurada, a Latam informou que Maldini foi detido na última sexta-feira no Aeroporto de Guarulhos, quando retornava ao Brasil para fazer conexão em seu voo.

De acordo com o La Nación, o empresário compareceu perante o juiz em uma audiência de custódia no mesmo dia e, posteriormente, foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, onde permanece à disposição da Justiça.

Em nota, a Latam disse que condena energicamente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia”. A empresa disse ainda que está oferecendo apoio psicológico e assistência jurídica ao funcionário vítima dessa violência”.

Afastado do cargo

Após os fatos, a Landes divulgou um comunicado no qual repudiou a conduta de seu funcionário. “A Landes condena de maneira categórica e sem nuances qualquer ato de discriminação, racismo ou homofobia. Esse tipo de conduta é absolutamente incompatível com os valores da Landes e com sua Política de Não Discriminação, que rege todos os colaboradores da empresa”, afirmou a companhia.

No documento, a empresa pesqueira esclareceu que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e que não havia sido notificada da prisão antes de ela se tornar pública.

Na manhã deste sábado, em comunicado aos funcionários, a empresa disse que “enquanto se apuram todas as informações necessárias, Landes decidiu afastar formal e preventivamente Germán Naranjo de suas funções”, segundo o portal chileno Bio Bio Chile.

Crime com punição no Brasil

Desde 2023, o Brasil equiparou a injúria racial ao crime de racismo, com endurecimento das penas: o crime tornou-se imprescritível e inafiançável na esfera policial.

A legislação prevê penas de dois a cinco anos de prisão, além de multas. Também em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que insultos homofóbicos são puníveis com pena de prisão.

O caso de Maldini ocorre pouco tempo depois do episódio envolvendo a advogada argentina Agostina Páez, que foi processada por fazer gestos imitando um macaco em direção a funcionários de um bar em Ipanema, no Rio de Janeiro.

A mulher permaneceu três meses em prisão domiciliar no Brasil até que a Justiça local decidiu retirar sua tornozeleira eletrônica, devolver seu passaporte e exigir o pagamento de uma fiança de aproximadamente US$ 20 mil para permitir sua saída do país. Foi exigida ainda a fixação de um endereço na Argentina para futuras notificações.

Por: O Globo.
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