O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) aprovou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o cultivo do feijão-caupi no Acre referente à safra 2026/2027. A medida foi oficializada por meio da Portaria SPA/MAPA nº 116, de 20 de maio de 2026, publicada nesta terça-feira (26) no Diário Oficial da União (DOU).
Assinada pelo secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos Júnior, a portaria estabelece os períodos indicados de semeadura para os municípios acreanos, levando em consideração três níveis de risco climático: 20%, 30% e 40%. O objetivo é orientar produtores rurais sobre as melhores janelas de plantio para reduzir prejuízos provocados por adversidades climáticas.
O feijão-caupi (Vigna unguiculata), conhecido popularmente como feijão-de-corda ou feijão-macassar, possui grande importância econômica e social no país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. A cultura é considerada uma importante fonte de proteína alimentar e geração de renda para pequenos produtores, além de apresentar expansão significativa em áreas mecanizadas do Centro-Oeste.
De acordo com o documento técnico do Ministério da Agricultura, as temperaturas ideais para o desenvolvimento da cultura variam entre 18°C e 34°C. Temperaturas elevadas podem prejudicar o crescimento da planta, causar abortamento de flores e comprometer a formação e retenção das vagens, reduzindo também o número de sementes produzidas.
O zoneamento aponta ainda que o feijão-caupi necessita de, pelo menos, 300 milímetros de chuva durante o ciclo produtivo. O governo destaca que a distribuição das precipações ao longo do cultivo é mais importante do que o volume total acumulado, especialmente nas fases de germinação, emergência, florescimento e enchimento das vagens.
A portaria classifica os solos aptos ao cultivo em três categorias. Os solos do Tipo 1, de textura arenosa, possuem capacidade de armazenamento de água de 31,5 mm; os do Tipo 2, de textura média, armazenam até 49,5 mm; e os do Tipo 3, de textura argilosa, apresentam capacidade de 67,5 mm.
Apesar disso, o documento alerta que solos muito argilosos não são os mais recomendados para a cultura devido à sensibilidade do sistema radicular do feijão-caupi ao excesso de água e à saturação hídrica. Áreas com drenagem deficiente devem ser evitadas.
O ciclo da cultura foi dividido em quatro fases: germinação e emergência; crescimento e desenvolvimento; florescimento e enchimento de grãos; e maturação fisiológica e colheita. As cultivares foram agrupadas conforme o tempo de maturação: Grupo I, com ciclo de até 75 dias; Grupo II, entre 76 e 85 dias; e Grupo III, acima de 85 dias.
O Ministério da Agricultura também determinou que somente poderão ser utilizadas cultivares registradas no Registro Nacional de Cultivares (RNC), respeitando as recomendações técnicas dos obtentores e mantenedores das sementes.
A norma estabelece ainda restrições para o plantio em áreas de preservação permanente, solos rasos com profundidade inferior a meio metro, terrenos excessivamente pedregosos e locais com drenagem inadequada ou em desacordo com a legislação ambiental e o Zoneamento Ecológico-Econômico do Acre.
Os produtores poderão consultar os períodos recomendados de plantio para cada município acreano por meio do Sistema de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Siszarc), do Painel de Indicação de Riscos do Zarc e do aplicativo Plantio Certo, disponibilizado para celulares Android e iOS.

