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Rio Acre pode voltar a níveis críticos e causar desabastecimento

Por Redação Juruá em Tempo.20 de maio de 20264 Minutos de Leitura
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O Acre pode ter seca em 2026, com ondas de calor e baixo nível do Rio Acre, em Rio Branco. Com a previsão, a Defesa Civil de Rio Branco preparou três planos de contingência para o período.

Ao ContilNet, o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, coronel Cláudio Falcão, explicou que o órgão trabalha com os planos de estiagem, exaurimento hídrico, e o de queimadas.

“Pelo menos esses três planos têm que ser colocados em prática agora, para que a gente diminua os impactos. Esses planos têm data para iniciar, nós estamos acabando o período chuvoso e a gente aplica esses planos a partir de junho”, disse.

De acordo com o coronel Falcão, algumas ações envolvem operações de abastecimento com caminhões pipas, mapeamento de áreas suscetíveis a grandes queimadas que podem atingir a rede elétrica e evitar queimadas por conta da poluição e doenças respiratórias consequentes das queimadas.

“A Defesa Civil está envolvida em todo esse cenário. Os planos envolvem quase todas as secretarias. Agora de imediato eu procuro a Secretaria de Meio Ambiente, porque ele tem que ter plano também de como tratar o meio ambiente nesse momento, que é uma ameaça. Eu tenho que estar em contato direto com a Secretaria de Agricultura, porque a produção rural e os produtores rurais vão sofrer bastante”, disse.

Além disso, coronel Falcão destaca, ainda, que a Secretaria de Saúde também é envolvida com planejamento para um possível aumento de casos de doenças respiratórias e outras situações para atender a população.

“A RBTrans também será envolvida nos planos e deve apresentar alguma ação para oferecer mais conforto às pessoas que ficam expostas ao sol esperando ônibus. Os próprios que são transportados por mototáxi, que é que é também de competência da superintendência RBTrans. A Secretaria de Educação tem um plano se, por exemplo, nós chegarmos num nível crítico de poluição, pode ser que interrompa o ano letivo. A gente tem que mobilizar essas secretarias para fazer isso”, explicou.

O Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) também está envolvido para proteger a captação e distribuição de água. “Temos uma previsão de um cenário não muito animador, porque nós estamos no El Nino, esse fenômeno meteorológico, que faz com que aumente as temperaturas das águas do oceano, e com isso, vai ter muita mais evaporação, e toda essa umidade que vem do oceano entra na Amazônia, e os rios voadores vão transportar essa umidade para o Sul do país, que causa enchentes lá e aqui ficamos sem chuvas. Tudo isso agrava o cenário”, destaca.

Nível histórico

Em 21 de setembro de 2024, quando o nível do Rio Acre marcou 1,23 metros, o manancial ultrapassou a menor marca já registrada até então, de 1,25 metros em outubro de 2022.

Com a previsão de seca severa para 2025, a Defesa Civil não descarta ultrapassar a menor marca, registrada em 2024.

“É uma coisa que a gente não pode descartar. Não podemos afirmar, porém a gente não pode descartar. O nosso recorde é de 1,23 metros, e ano passado havia uma indicação de que a gente poderia chegar nesse nível, e nós chegamos em torno de 1,37 metros. Ficou próximo, mas não tão perto. Esse ano a gente pode ficar próximo, ficar no mesmo nível do ano passado, mas o fato é que tudo isso é grave”, disse.

“Tudo isso é muito complicado, porque a gente fala de nível do rio, mas nós temos que observar tudo o que acontece fora dele. Quando o nível do rio chega a esse nível de 1,30 metros, 1,40 metros, é porque já está muitos dias sem chuva e isso traz uma série de consequências”, continuou.

Coronel Falcão destacou as principais consequências da possível seca do Rio Acre.

“Uma coisa que nós vamos ter um impacto grande pode ser a questão econômica, tanto para zona rural, que vai perder produção, que perde produtos, que baixa a bacia leiteira, piscicultura, navegação, isso reflete diretamente em nós que moramos na zona urbana, que os produtos vão ficar mais caros e tem uma outra série de situações. Nós consumimos mais energia por conta de horas de calor, a gente consome mais água, então esses consumos vão aumentando e a cada dia isso gera um prejuízo econômico bem grande”, explicou.

Por: Contilnet.
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