Rio Acre seca mais de 6 metros em 20 dias; Defesa Civil alerta para seca severa antecipada
O cenário ambiental na capital do Acre acendeu o sinal de alerta máximo para as autoridades e especialistas. Em um intervalo de apenas duas semanas, o Rio Acre registrou uma vazante histórica e extremamente acelerada. Dados oficiais do boletim da Defesa Civil Municipal apontam que o manancial iniciou o mês de maio, no dia 1º, medindo 9,80 metros e, já na manhã desta quinta-feira, 14, despencou para 6,35 metros.
A redução representa uma perda de quase 3,5 metros de profundidade em apenas 14 dias de maio. Se somado o recuo iniciado no final de abril, quando o rio chegou a marcar 12,14 metros, o esvaziamento total passa de 6 metros em menos de vinte dias, configurando uma das vazantes mais agressivas e precoces dos últimos anos.
O Tenente-Coronel Cláudio Falcão, Coordenador Municipal da Defesa Civil, explica que a descida rápida do rio é o reflexo de um problema estrutural crônico na bacia hidrográfica: a degradação ambiental.
“O rio, na realidade, ele não consegue mais reter água. Ele aumenta rapidamente, mas, em 15 dias depois, já cai pela metade. A explicação para isso é o assoreamento e o desmatamento das matas ciliares, que não existem mais em muitos trechos do Rio Acre. O rio é só um canal; o que segura a água são as árvores do lado, a mata que vai segurando as raízes e soltando aos poucos essa água para dentro do leito, mantendo o nível. Sem essa vegetação ao longo da margem, acelera-se tanto a enchente quanto a vazante.”
Previsão climática desfavorável e chuvas irregulares
Historicamente, o mês de maio marca o início do período de estiagem na região amazônica, com uma média esperada de 103 milímetros de chuva. No entanto, o ano de 2026 promete registrar marcas severas. Segundo a Defesa Civil, a última chuva minimamente expressiva em Rio Branco ocorreu no segundo domingo de maio (Dia das Mães). Desde então, o acumulado segue zerado, registrando 0,0mm nas últimas 24 horas.
A grande preocupação da coordenação não é apenas a escassez, mas a forma como o clima tem se comportado.
“Nós temos a previsão de uma seca complicada para nós desse ano de 2026, com o mês de maio não alcançando o que é esperado. E também temos que observar a forma como essa chuva chega. Se chover 100 milímetros em um único dia, não resolve nada o nosso problema. A chuva tem que ser regular, e essas chuvas regulares simplesmente não estão acontecendo. O fato real é que, virando essa quinzena de maio, a gente entra em uma estiagem forte e com todas as suas consequências: seca, ondas de calor e situação propícia a queimadas.”
Com a velocidade da vazante atual, os modelos matemáticos da Defesa Civil indicam um futuro próximo alarmante. A projeção é que, até o final da quinzena de junho, o Rio Acre possa estar muito próximo da marca crítica de 2 metros, o que comprometeria severamente a navegação e a captação de água em diversos pontos.
Três planos de contingência em ação
Diante do diagnóstico de crise iminente, a Prefeitura de Rio Branco e a Defesa Civil preparam uma força-tarefa integrada. Em vez de uma resposta genérica, o município aplicará simultaneamente três planos de contingência distintos para combater as diferentes frentes do período crítico: o plano de estiagem, o de queimadas e o de exaurimento hídrico.
As ações envolvem o monitoramento de poços e represas que começam a secar no interior, o suporte à Secretaria de Agricultura para minimizar os prejuízos dos produtores rurais, e o engajamento das secretarias de Saúde e Meio Ambiente. Mas a grande novidade para 2026 está no planejamento urbano para enfrentar o calor extremo.
O Coronel Falcão revelou que o plano deste ano prevê a inserção de novos órgãos e soluções diretas para proteger o cidadão nas ruas:
“Como temos previsão de ondas de calor fortes, estamos incluindo eixos novos, como a RBTrans, para avaliar onde o pessoal vai se abrigar para esperar um ônibus na cidade. Além disso, estou inserindo no plano de contingência a instalação de bebedouros públicos para hidratação da população nas ruas. São métodos que estamos buscando para minimizar os impactos desse processo que afeta a todos.”
Até o momento, o Rio Acre segue em nível de atenção. Embora ainda distante da cota de alerta de transbordo (13,50m) e em situação considerada razoável para o abastecimento imediato, a velocidade com que o leito está secando exige que a população e o poder público iniciem imediatamente as medidas de racionamento e prevenção contra queimadas urbanas e rurais.