Com investimento médio anual de apenas R$ 8,99 por habitante em saneamento básico, Rio Branco apareceu entre os 20 piores municípios do país no Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados.
Os dados, baseados em informações do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) referentes a 2024, colocam a capital acreana como o município que menos investiu em saneamento entre as 100 cidades mais populosas do Brasil.
O valor investido representa menos de 4% do patamar considerado necessário pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), que estima aplicação de R$ 225 por habitante para universalizar os serviços até 2033.
Menos da metade da população tem água tratada
Além do baixo investimento, o levantamento aponta que apenas 46,74% da população de Rio Branco tinha acesso à água tratada em 2024. O índice está muito abaixo da média registrada entre os 100 maiores municípios brasileiros, que chegou a 93,55%.
Rio Branco aparece na lista das 20 cidades com pior desempenho em saneamento básico ao lado de municípios como Santarém (PA), Porto Velho (RO) e Parauapebas (PA).
Desigualdade regional pesa no ranking
Segundo o Instituto Trata Brasil, as desigualdades regionais continuam sendo um dos principais entraves para a universalização do saneamento no país. O estudo aponta que municípios das regiões Norte e Nordeste concentram grande parte das últimas posições do ranking devido a déficits históricos em infraestrutura, operação e investimentos.
O relatório também mostra que os 20 municípios mais bem colocados investem, em média, R$ 176,17 por habitante, enquanto os 20 piores aplicam cerca de R$ 77,58.
A diferença também aparece nos índices de coleta e tratamento de esgoto. Nos 20 melhores municípios, a cobertura média de coleta chega a 98,08%. Já entre os 20 piores, o índice cai para 28,06%.
A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto, afirmou que o saneamento precisa ganhar prioridade nas políticas públicas diante da proximidade do prazo de universalização previsto no Marco Legal do Saneamento.
“É fundamental que o saneamento ganhe centralidade no debate público e integre de forma prioritária as agendas dos futuros governantes em todo o país”, declarou.

