O aumento da utilização de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no cotidiano acende um alerta importante: até que ponto um conteúdo pode ser confiável?
A circulação de conteúdos manipulados nas redes sociais agora possue um formato ainda mais perigoso, no qual não apenas a informação pode ser modificada, mas também a voz, o rosto e até o contexto. São as chamadas “deepfakes”, termo que junta “deep learning” (aprendizado profundo) e “fake” (falso). Essa tecnologia permite que rostos sejam trocados e vídeos realistas sejam criados em poucos minutos através da IA.
Segundo pesquisa “O impacto da IA no Fact-checking Global”, realizada pela Agência Lupa, a partir de 1.294 checagens profissionais em dez idiomas, cerca de 81,2% dos casos de desinformação com tecnologias de inteligência artificial surgiram apenas nos últimos dois anos (entre janeiro de 2024 e março de 2026).
Os temas mais recorrentes de desinformação foram eleições, guerras e golpes. Essa realidade coloca em evidência o uso das tecnologias de IA para o enfraquecimento das democracias e o avanço constante da desinformação digital, que chega ao público de diferentes formas, como vídeos, fotos, áudios curtos e textos.
O volume de checagens com esse tipo de manipulação cresceu de 160 casos, em 2023, para 578, em 2025. Até março deste ano, já haviam sido registradas 205 verificações, um dado alarmante, principalmnete em um ano eleitoral.
Por que é tão fácil acreditar em Fake News?
As infomações falsas tender a circular mais rapidamente, pois exploram fatores como crenças pessoais, emoções e influências algorítmicas, além de mostrarem o poder da repetição e a ideia de que “uma mentira contada várias vezes se torna verdade”.
O diálogo se torna mais complicado à medida que as pessoas, por uma necessidade de reafirmação e conforto, permanecem presas a ideias, pensamentos e crenças já conhecidas, ignorando evidências contrárias e ficando mais vulneráveis à desinformação, principalmente no meio digital, onde as redes sociais criam ambientes personalizados, baseado nas preferências dos usuários.
Outra característica comum nas fake news é o apelo a sentimentos intensos, como revolta, raiva e indignação. Essa ampliação de emoções, aliada à confirmação de preferências e à sensação de proximidade, acontece por meio das chamadas bolhas de informação. O resultado é um ciclo contínuo de compartilhamento sem verificação, com pouco espaço para uma análise crítica e maior favorecimento à viralização de conteúdos enganosos.
Desinformação aumenta a desigualdade social
No cenário atual, a circulação desigual de informações confiáveis também pode ser considerada como um fator de ampliação das desigualdades sociais. Além de questões como renda, raça, gênero e território, a manipulação da informação representa mais um desafio para o pleno exercício da cidadania.
De acordo com o Global Risks Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, a desinformação é o principal risco de curto prazo para as democracias, pois pode interferir diretamente em decisões relacionadas à saúde, educação, segurança e direitos. Algo ainda mais perigoso para territórios e realidades vulneráveis que diariamente vivem os impactos das desigualdades estruturais.
Como detectar o uso de IA e desinformação?
Para garantir maior segurança na verificação de fatos, a maneira mais eficaz de combater a desinformação é o questionamento constante e uma postura crítica. Em casos de dúvida, o mais indicado é buscar outras fontes de informação, verificar quem publicou e confirmar se outros veículos e agências de verificação validam o conteúdo.
No caso de vídeos e imagens, é importante estar atento aos detalhes. Em conteúdos manipulados, podem surgir incoerrências, como movimentos estranhos, mudanças no cenário ou falta de sincronia entre fala e expressão facial. Em pessoas, é comum observar o olhar e a boca parecer desalinhados, e partes do corpo podem apresentar distorções.
Em casos de desconfiança, também é possível utilizar ferramentas de detecção e pesquisar trechos das falas separadamente. Além disso, ao identificar que uma informação é falsa ou manipulada, é importante denunciar as fontes enganosas e apoiar ativamente iniciativas de educação midiática.

