A previsão de um possível Super El Niño em 2026 fez o Acre antecipar medidas para enfrentar os efeitos da estiagem nas comunidades indígenas. Diante de estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa), que apontam 63% de probabilidade de ocorrência do fenômeno, foi ativado um plano de contingência para reduzir os impactos da seca e evitar o isolamento de aldeias.
Segundo o Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), os efeitos mais intensos do Super El Niño, como o aumento das temperaturas e a redução do nível dos rios, devem se agravar entre agosto e setembro. Nesta sexta-feira, 26, o Rio Acre registrou 2,70 metros em Rio Branco, confirmando a tendência de vazante.
O plano reúne ações nas áreas de logística, abastecimento, segurança hídrica, saúde e monitoramento. Entre as medidas previstas estão o mapeamento de rotas para o transporte de alimentos e combustível e o uso de helicópteros para atender comunidades que ficarem isoladas após a perda da navegabilidade dos rios.
Na área de segurança hídrica, estão previstas a construção e recuperação de poços artesianos, além da instalação de novos reservatórios para ampliar o acesso à água potável nas aldeias.
Na saúde, a atuação será feita em conjunto com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), com foco no monitoramento e atendimento de doenças relacionadas ao calor extremo e à fumaça.
Grupo de trabalho e investimentos
O plano também prevê a criação de um Grupo de Trabalho composto por órgãos estaduais, federais e lideranças indígenas para coordenar as ações de enfrentamento à estiagem.
Além disso, o Instituto de Mudanças Climáticas destinou R$ 4 milhões, por meio de edital, para apoiar projetos de adaptação climática em comunidades tradicionais.
O monitoramento diário do nível dos rios e a emissão de alertas meteorológicos adaptados continuam sob coordenação da Defesa Civil e da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), responsáveis pelo acompanhamento das condições climáticas e das áreas afetadas.

