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Anvisa aprova medicamento inédito para ondas de calor da menopausa

Por Redação Juruá em Tempo.23 de junho de 20263 Minutos de Leitura
Foto: Freepik
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal autorizado no Brasil para o tratamento de sintomas vasomotores da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos. O remédio será comercializado com o nome Veoza, mas ainda não tem preço nem data de lançamento definidos.

A novidade amplia as opções terapêuticas para mulheres que sofrem com os sintomas da menopausa, especialmente aquelas que não podem usar terapia hormonal ou que não obtiveram bons resultados com esse tratamento.

Segundo a ginecologista Rita de Cassia Dardes, integrante da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o medicamento não deve ser visto como um substituto da reposição hormonal.

“O fezolinetanto não substitui de forma geral a terapia hormonal da menopausa. Ele amplia as possibilidades de tratamento”, ressalta.

Como o medicamento funciona?

Os fogachos e os suores noturnos estão entre as queixas mais frequentes da menopausa. Eles surgem principalmente por causa da queda dos níveis de estrogênio, que afeta mecanismos cerebrais responsáveis pelo controle da temperatura corporal.

Diferentemente da terapia hormonal, o fezolinetanto não contém estrogênio nem progesterona. O medicamento atua diretamente no hipotálamo, região do cérebro que funciona como um centro regulador da temperatura.

De acordo com a ginecologista, a substância bloqueia um receptor chamado NK3, envolvido nas alterações que favorecem o surgimento das ondas de calor.

A aprovação da Anvisa foi baseada em estudos clínicos realizados com mais de 3 mil mulheres, que demonstraram redução na frequência e na intensidade dos fogachos.

Quem pode se beneficiar?

A principal indicação é para mulheres com sintomas moderados ou graves que afetam o sono, a disposição e a qualidade de vida. O medicamento pode ser uma alternativa especialmente relevante para pacientes com contraindicação à terapia hormonal, que apresentaram efeitos adversos ao tratamento ou que preferem uma opção não hormonal após orientação médica.

Apesar disso, Rita ressalta que a escolha do tratamento deve ser individualizada. “Ele não veio ocupar o lugar da terapia hormonal. Veio preencher uma lacuna importante e permitir que o tratamento seja ainda mais individualizado”, afirma.

A ginecologista destaca ainda que mulheres com histórico de câncer de mama devem conversar com seus médicos antes de considerar o uso do medicamento.

“Isso não significa que ele esteja automaticamente liberado para toda paciente com câncer de mama. Nas mulheres em tratamento oncológico, a indicação deve ser compartilhada com o oncologista”, explica.

Terapia hormonal continua sendo referência

Especialistas lembram que a menopausa não é uma doença e, portanto, não existe um tratamento para a condição em si. O objetivo das terapias disponíveis é aliviar os sintomas e reduzir prejuízos à qualidade de vida.

Segundo a ginecologista Denise Joffily, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, a terapia hormonal continua sendo a opção mais eficaz para muitas pacientes.

“A terapia hormonal é a maneira mais eficaz de controlar sintomas como fogachos, ressecamento vaginal, alterações do sono e do humor. Ela também oferece proteção óssea, ajudando a prevenir fraturas relacionadas à osteoporose”, afirma.

Ela ressalta, porém, que existem outras abordagens disponíveis, incluindo medicamentos não hormonais, acompanhamento psicológico e mudanças no estilo de vida.

A recomendação é que a decisão sobre o uso do medicamento seja tomada após avaliação médica, considerando histórico de saúde, sintomas, medicamentos em uso e possíveis contraindicações.

Por: Metrópoles.
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