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Cápsula de césio-137 some de instituto médico e gera alerta nacional

Por Redação Jurua em Tempo20 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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As forças de segurança e as agências de regulação nuclear da Argentina emitiram um alerta nacional de segurança epidemiológica após confirmarem o desaparecimento de uma cápsula carregada com césio-137, um isótopo altamente radioativo utilizado em procedimentos de alta complexidade em medicina nuclear. O elemento químico estava armazenado nas dependências de um instituto médico especializado localizado na região central de Rosário, terceira maior cidade do país portenho.

De acordo com informações apuradas pelo jornal argentino La Nación e reproduzidas pela Folha de S.Paulo, a cápsula de césio era mantida sob custódia no interior de um contêiner blindado feito de chumbo, desenvolvido pela engenharia biomédica para blindar totalmente a dispersão de partículas ionizantes no meio ambiente. O sumiço ativou protocolos de contingência da polícia científica devido ao risco severo à saúde pública caso o invólucro protetor seja violado por indivíduos sem conhecimento técnico.

O material radioativo em questão desempenhava uma função estrita de calibração de sensores e manutenção preventiva de maquinários radiológicos da instituição de saúde. Até o fechamento desta reportagem, as autoridades argentinas não dispunham de dados precisos sobre a data exata em que o elemento foi subtraído, tampouco pistas sobre a autoria da remoção.

A linha investigativa preliminar coordenada pelo Ministério Público argentino busca reconstruir o fluxo operacional do laboratório para identificar vulnerabilidades e quebras nos protocolos de segurança da fundação hospitalar. Os investigadores realizam auditorias nos livros de registros internos e revisam os sistemas eletrônicos de controle de acesso à sala de armazenamento.

O setor onde a cápsula ficava guardada funcionava sob regime de segurança máxima e possuía uma lista restrita de circulação: apenas quatro profissionais cadastrados detinham credenciais biométricas ou chaves para ingressar no recinto. Esse afunilamento de suspeitos baliza o inquérito, que tenta delimitar a cadeia de responsabilidade funcional e o momento cronológico do desvio.

A ausência da peça só foi detectada de forma fortuita, quando físicos médicos do instituto abriram o compartimento blindado para realizar a calibração de rotina de um aparelho e constataram que o alojamento de chumbo estava vazio.

Especialistas em radioproteção ouvidos pela imprensa argentina ponderam que, enquanto o isótopo permanecer selado hermeticamente no recipiente de chumbo, a ameaça de contaminação da população em geral é considerada residual. O maior temor do governo reside na hipótese de o objeto ser descartado em lixões ou repassado a depósitos de sucata, onde trabalhadores poderiam tentar desmontar a peça atraídos pelo valor comercial do metal.

A exposição direta e sem proteção à radiação gama emitida pelo césio-137 acarreta danos celulares severos e agudos. O contato desprotegido desencadeia queimaduras radiológicas profundas na pele, destruição de tecidos moles e de órgãos internos, além de mutações genéticas que elevam a probabilidade de desenvolvimento de neoplasias (câncer) a médio e longo prazo.

O episódio na província de Santa Fé despertou imediata associação internacional com o desastre radiológico de Goiânia, registrado em setembro de 1987, considerado o maior acidente radioativo do planeta ocorrido fora de uma usina nuclear. Na capital goiana, uma cápsula contendo césio-137 foi extraída por catadores de recicláveis de um aparelho de cesioterapia abandonado em uma clínica desativada.

A violação do equipamento em um ferro-velho expôs o pó brilhante azul ao ambiente, contaminando diretamente centenas de pessoas e provocando quatro mortes imediatas. Quase quatro décadas depois, cerca de 1.300 sobreviventes e descendentes diretos ainda necessitam de monitoramento médico permanente e convivem com as sequelas crônicas da tragédia brasileira.

Por: ContilNet
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