Produtos importantes da pauta exportadora brasileira estão fora da nova tarifa proposta pelo governo do presidente americano, Donald Trump, que propôs uma taxa de até 12,5% sobre os países que supostamente não adotam medidas suficientes para conter a prática de trabalho forçado em suas cadeias produtivas.
A lista divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) inclui diversas categorias de produtos. Entre os alimentos, estão isentos itens como frutas, carne bovina fresca e congelada, café, chá e uma ampla variedade de especiarias, incluindo pimenta, canela, baunilha e gengibre.
Embora tenha deixado a carne bovina de fora da taxação, o governo americano citou, no inquérito que o Brasil utiliza trabalho forçado na criação de gado e que isso estaria permitindo ao país vender carne mais barata para Pequim. Mencionam ainda que a fatia do produto brasileiro nas importações de carne chinesas subiu de 38% em 2021 para 53% em 2025, enquanto a carne americana nas compras chinesas caiu de 6% para 2% no mesmo período.
Essas isenções foram propostas porque a imposição de tarifas sobre tais produtos poderia causar escassez de suprimento doméstico nos EUA ou gerar interrupções em toda a economia, especialmente em setores que não conseguem obter esses materiais de outras fontes.
As chamadas terras-raras, minerais estratégicos usados em veículos elétricos e na indústria de defesa, também estão entre as exceções. O tema é de interesse do presidente Donald Trump, e o Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses recursos.
Também ficaram de fora da proposta minérios metálicos, como cobre, níquel, cobalto, alumínio e urânio, além de carvão, petróleo bruto e derivados refinados, como combustíveis, querosene de aviação, óleos lubrificantes e ceras minerais.
Fertilizantes e aeronaves
A lista de exclusões inclui ainda produtos químicos industriais, fertilizantes minerais e químicos, além de medicamentos e compostos farmacêuticos, como penicilinas, insulinas e vitaminas. No setor de tecnologia, foram excluídos componentes eletrônicos como semicondutores, diodos, transistores, circuitos integrados, telas LCD e OLED e computadores para processamento de dados.
Há ainda uma série de itens destinados à aviação civil que poderão ser isentos, incluindo peças de borracha e plástico, tubos e componentes metálicos, motores aeronáuticos, bombas, ventiladores e equipamentos de navegação.
As exclusões não se aplicam especificamente ao Brasil. Elas valem para todos os países abrangidos pela investigação conduzida pelo governo americano, que alcança 60 parceiros comerciais.
As tarifas não entrarão em vigor imediatamente e estarão sujeitas a um período de consulta pública e revisão antes da implementação, o que pode resultar em mudanças antes que sejam formalmente adotadas. Comentários por escrito deverão ser enviados até 6 de julho, e um painel da Seção 301 deverá realizar audiências públicas a partir de 7 de julho, segundo o aviso oficial.

